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02/07 - ISLÃ AVANÇA NO MÉXICO

Molino de Los Arcos é um dos bairros mais pobres de San Cristóbal de las Casas, a segunda maior cidade em Chiapas e popular entre os turistas por sua beleza colonial. O bairro é etnicamente quase inteiramente indígena, com o “tsotsil maya” como língua dominante. Às sextas-feiras, no entanto, você pode ouvir o lento, monótono canto árabe de chamamento à oração muçulmana. Em um barraco de madeira, pintado com frases religiosas árabes, cerca de vinte famílias tsotsil muçulmanas criaram um pequeno lugar de culto.

Alternativa ao capitalismo

Sempre houve muçulmanos no México, mas em geral eram imigrantes de países muçulmanos da África e do Oriente Médio. Isso até 1995, quando muçulmanos espanhóis liderados por Aureliano Pérez vieram ao México para espalhar a palavra de Deus. Foi aí que os mexicanos iniciaram sua conversão ao Islã.

A chegada dos espanhóis pode ser vista em relação direta com a revolta dos rebeldes zapatistas em Chiapas, em 1994. Eles viram o estado de miséria como terreno fértil para os princípios do Islã. Indígenas maias e tsotsiles levavam vidas marginalizadas desde a conquista espanhola, no século 16. Eles vivem em extrema pobreza, sofrem a exploração de governos corruptos e o racismo dos brancos e mexicanos mestiços (pessoas com mistura de europeus e nativos americanos). O alcoolismo entre os indígenas mexicanos é galopante.


Os maias e tsotsiles mantêm uma estrita proibição de uso de álcool e dos lucros obtidos em empréstimo de dinheiro. O Islamismo provou ser atraente para chiapanecos indígenas, como uma alternativa viável ao capitalismo. No entanto, Muhammad Amin (FOTO) salienta que o Islã não é apenas para chiapanecos indígenas: "Deus não faz distinção entre raça. Smos todos bem-vindos."

Zapatista muçulmanos

O componente social no Islã chiapaneco apresentou-se em seus primeiros dias, quando os muçulmanos, sob Nafia, se ofereceram para apoiar os rebeldes zapatistas do Subcomandante Marcos. Muitos rebeldes zapatistas, que lutam pelos direitos indígenas e a reforma agrária, são tsotsiles. Alguns deles se converteram, apesar de Marcos estar hesitante primeiramente. O governo mexicano se assustou e começou a monitorar a presença do Islã. O ex-presidente Vicente Fox ainda os acusou de ter ligações com a Al-Qaeda, embora prova sólida nunca tenha sido apresentada.

Muhammad Amin ri quando se refere a essas acusações. "Não temos ligações com qualquer grupo estrangeiro, qualquer grupo muçulmano e não temos nenhum problema com qualquer outra religião aqui. Islã significa paz, respeito a todos que nos rodeiam."

Isso não significa que os cristãos responderam positivamente aos seus novos concorrentes. Andrés Ferrer, que agora atende pelo nome árabe de Mujahid, converteu-se ao Islamismo em 1998. E teve de vencer muitos preconceitos:

"Muitas pessoas reagiram mal, porque não têm idéia do que o Islã é. Alguns deles até nos chamaram de terroristas. Minha própria família me chamou de louco!"

Pizzaria islâmica

Apesar da oposição, o Islã está se saindo bem em Chiapas. Os muçulmanos abriram uma madrassah  (escola) de ensino do Alcorão, uma missão islâmica, uma carpintaria e uma pizzaria. Eles ensinam árabe para os novos convertidos e até mesmo organizam o Hajj - ou a Peregrinação a Meca, o que muitos muçulmanos indígenas já realizaram. O Islã está crescendo lenta mas seguramente, diz o Imam Lopez:

"Nesta mesquita, em particular, há dezessete famílias islâmicas, agora. Gradativamente, mais pessoas estão se abrindo para a Palavra de Deus. Sim, eu penso que nós estamos aqui para ficar."

"Este é o lugar onde nós limpamos nossos espíritos e oramos a Deus. Nem todo mundo veio hoje, algumas pessoas têm de trabalhar", diz o Imam (líder religioso) Salvador Lopez Lopez, entre sorrisos. "Mas estamos nos saindo bem. Nossa comunidade ainda é pequena, estamos em talvez duzentos, mas aos poucos estamos crescendo".

Lopez converteu-se ao Islã em 1995 e adotou o nome árabe de Muhammad Amin. Ele foi um dos primeiros tsotsiles a abraçar a religião. Ele descreve sua conversão como um período difícil de dois anos de procura. "Há muita ignorância sobre o Islã em Chiapas. Ninguém sabia o que era e no início eu não estava certo ser era a coisa certa para mim. Minha família não concorda. Foi duro," conta.
 

Fonte:http://www.rnw.nl/english/article/islam-new-religion-rebellious-mexican-state-chiapas

Tradução e edição: Ibei

 

 

 

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