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05/06 - OUTRO NAVIO COM AJUDA HUMANITÁRIA É BARRADO

O Exército de Israel abordou no meio da manhã deste sábado o navio irlandês "Rachel Corrie" sem o registro de vítimas, afirmou um porta-voz militar israelense. A abordagem ocorreu depois que a tripulação da embarcação irlandesa ignorou quatro chamados do Exército israelense para que desviasse a rota para um porto de Israel ao invés de seguir para Gaza.

Israel afirma que, antes de invadir o barco, enviou quatro mensagens por rádio pedindo para que este mudasse sua rota para Ashdod, mas recebeu resposta nenhuma.

O governo de Israel tinha reiterado nos últimos dias que impediria com o uso força a chegada do cargueiro "Rachel Corrie" a Gaza em caso da embarcação não desistir da intenção de romper o bloqueio israelense e chegar à faixa palestina.

Segundo "Free Gaza", um dos grupos que organiza a expedição, o "Rachel Corrie" transporta 1,2 mil toneladas de ajuda humanitária. Com 20 pessoas a bordo, entre os passageiros está a prêmio Nobel da Paz norte-irlandesa Mairead Maguire e um antigo subsecretário-geral das Nações Unidas, o irlandês Denis Halliday.

O "Rachel Corrie" ficou para trás do comboio devido a problemas técnicos. O nome do navio irlandês é carregado de simbolismo. Rachel Corrie era uma ativista americana que em 2003 foi esmagada em Gaza por uma escavadeira militar israelense quando exercia papel de "escudo humano" impedindo a demolição de casas palestinas.

Ataque na segunda-feira

O Exército israelense atacou na segunda-feira outros seis navios do comboio de ajuda humanitária, da qual faz parte o navio irlandês.

Na abordagem, o Exército israelense matou nove ativistas turcos - um deles com dupla nacionalidade turco-americana - que viajavam em uma das embarcações (na FOTO, as cerimônias fúnebres na Turquia). No ataque, em águas internacionais, dezenas de ativistas ficaram feridos.

Centenas de ativistas foram presos e deportados de Israel desde então. O incidente provocou uma onda de críticas internacionais, e o Conselho de Segurança da ONU emitiu declaração pedindo que o caso seja investigado imediatamente, de forma "imparcial, crível e transparente".

O autor de romances policiais sueco Henning Mankell, um dos escritores mais famosos do país, estava entre os passageiros de um dos barcos da frota atacada. Ele viu, à distância, o assalto ao navio Mavi Marmara, que liderava a frota.

Em entrevista coletiva em Berlim, depois de ser deportado de Israel, o escritor defendeu que sejam adotas sanções contra o Estado de Israel, nos moldes das sanções adotadas contra a África do Sul durante o regime do apartheid. Segundo Mankell, Israel saiu "para cometer assassinato". "Eu não entendi porque eles usaram tanta força", disse, afirmando que os passageiros foram tratados com extrema agressividade.

Outros ativistas a bordo do Mavi Marmara - entre eles a cineasta brasileira Iara Lee - também relataram cenas de violência por parte dos soldados (leia o relato da brasileira sobre o ataque).

Na quinta-feira à noite, em entrevista à rede de TV americana CNN, o presidente Barack Obama disse que a morte dos ativistas foi "trágica", mas afirmou que o incidente pode ter efeitos positivos sobre o processo de paz na região.

Bloqueio contestado

Desde a ação militar, o primeiro-minsitro israelense Binyamin Netanyahu vem sofrendo pressão para suspender o bloqueio terrestre e marítimo a Gaza, imposto em 2007 quando o Hamas assumiu o controle do território.

Segundo o canal 1 da TV israelense, Netanyahu teria dito na quinta-feira ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair que estaria disposto a flexibilizar o bloqueio marítimo a Gaza, caso fosse instaurada uma comissão internacional para inspecionar a carga dos navios. Blair é um dos representantes do Quarteto, grupo que negocia a paz no Oriente Médio formado por EUA, Rússia, União Europeia e ONU.

* Com AP, Reuters e BBC Brasil

Edição: Ibei

 

 

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