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19/03/2010 -
A CRÍTICA (INTIQAD) E A DIFAMAÇÃO (ZAMM)
Primeiro Sermão:A CRÍTICA (INTIQAD) E A DIFAMAÇÃO (ZAMM) Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo Estas duas palavras ("intiqad" e "zamm") são muito próximas entre si com relação ao seu sentido. Para que possamos diferenciar entre as duas, explicaremos alguns pontos abaixo: 1) Intiqad (“crítica”): Tem relação com ações voluntárias que uma pessoa pratica. Mas a difamação não significa isto. A difamação adquire sentido em ações que não são voluntárias. Por exemplo, discriminar alguém pelo fato de ser careca não é certo. Mas, a crítica quando é feita, é baseada na lógica. 2) A crítica é colocado por pessoas que têm conhecimento. Mas, a difamação tem como origem pessoas ignorantes, que por causa de divergências e inveja, colocam este tipo de coisa. 3) O ser humano precisa ser criticado para que possa solucionar os seus problemas e possa otimizar todas as suas capacidades. Mas, a difamação ou calúnia não é positiva, pois acaba com a espiritualidade e cria inimizades. Então, temos de forma geral que a crítica é algo positivo e a difamação ou calúnia é algo ruim. Agora, gostaria de lhe perguntar: Quando você se depara com a crítica, de que forma reage? O ser humano bem sucedido é aquele que aceita a crítica, quer dizer, a crítica positiva é utilizada para seu próprio crescimento e desenvolvimento. Mas, a pessoa mal sucedida vê a critica como difamação ou calúnia e fica enraivecida. Isto faz com que ela não trabalhe a sua personalidade, o que não só não lhe traz benefícios, mas nega o desenvolvimento e dá sinais de que seu trabalho é perfeitamente correto. Algumas vezes ela agride o outro e faz com que seus erros passados sejam relembrados. Todo ser humano tem possibilidades limitadas e as chances de ser bem sucedido estão ligadas a elas. Alguns, quando se encontram com um problema, ficam impossibilitados e perdem o controle. Outros, quando se deparam com problemas, tentam o máximo que podem resolver a situação. Pode ser que não atinjam seu objetivo e cheguem a fracassar. Mas, o fracasso do segundo grupo é melhor que o fracasso do primeiro. Portanto, o primeiro grupo não pode criticar o segundo. Deus, na Surata n°33 - Al Ahzab/Os Partidos - no Versículo n°19 nos diz: “Quando o medo se apodera deles, observa (Ó, Mohammad), que te olham com os olhos injetados, como quem se encontra num transe de morte; porém, quando se lhes desvanece o temor, zurzem-te com suas línguas ferinas, avarentos quanto ao feitio do bem.”
O que o versículo acima indica é que a palavra “medo”, na verdade, quer dizer “a batalha”, que está junto dele. Alguns homens, em situações problemáticas, não fazem nenhum esforço para mudar a situação. Mas, quando o problema é solucionado e o conflito se resolve, formulam uma filosofia própria. Eles passam a criticar e desejam, com sua língua e propaganda, achar-se melhores que aqueles que resolveram o problema e chegaram à solução. Este tipo de pessoa é egoísta e palavras como “muito obrigado” ou “muito bom” jamais são proferidas por suas línguas. Algumas pessoas passam a criticar os outros por causa de sua ignorância, falta de conhecimento sobre as questões ligadas à solução do problema e pela falta de conhecimento do assunto. Temos um exemplo no Alcorão Sagrado com relação às mulheres do Egito, quando souberam de Zuleika e o Profeta José (a.s). Elas relataram a ação dela como negativa. Contudo, Zuleika, de forma leal, confirmou sua posição, afirmando que o que elas imaginavam não era verdadeiro. E disse que se elas estivessem no lugar de Zuleika, fariam pior do que ela. Deus, na Surata n°12 -Yussef/José - nos Versículos n°31 e 32, nos diz: “Mas quando ela se inteirou de tais falatórios, convidou-as à sua casa e lhes preparou um banquete, ocasião em que deu uma faca a cada uma delas; então disse (a José): ‘Apresenta-te ante elas!’ E quando o viram, extasiaram-se, à visão dele, chegando mesmo a ferir suas próprias mãos. Disseram: ‘Valha-nos Deus! Este não é um ser humano. Não é senão um anjo nobre’. Então ela disse: ‘Eis aquele por causa do qual me censuráveis’”. Ao menos Zuleika não machucou suas mãos com uma faca. Mesmo vendo o Profeta José (a.s) noite e dia e conversando com ele, não chegou ao ponto de cometer um erro dessa envergadura. Pior do que a crítica direta é a crítica indireta ou aquela que é feita na ausência de uma pessoa. Deus, na Surata n°58 - Al Mujádala/A Discussão - do Versículo n°7 ao12, nos diz: “Não reparas em que Deus conhece tudo quanto existe nos céus e na terra? Não há confidência entre três pessoas, sem que Ele seja a Quarta delas; nem entre cinco, sem que Ele seja a sexta; nem que haja menos ou mais do que isso, sem que Ele esteja com elas, onde quer que se achem. Logo, no Dia da Ressurreição, os inteirará de tudo quanto fizerem, porque Deus é Onisciente. Acaso, não reparaste naqueles a quem foi proibida a confidência? Não obstante, reincidem no que lhes foi vedado e falam clandestinamente de iniqüidades, de hostilidades e de desobediências ao Mensageiro! E quando se apresentam a ti, saúdam-te, em termos com os quais Deus jamais te saudaram, e dizem para si: Por que Deus não nos castiga pelo que fazemos? Bastar-lhes-á o inferno, no qual entrarão! E que funesto destino! Ó fiéis, quando falardes na intimidade, não discorrais sobre iniqüidades, sobre hostilidades, nem sobre a desobediência ao Mensageiro; antes, falai da virtude e da piedade, e temei a Deus, ante Quem sereis congregados. Sabei que a confabulação emana de Satã, para atribular os fiéis. Porém, ele em nada poderá prejudicá-los sem o beneplácito de Deus. Que os fiéis se encomendem a Deus!Ó fiéis, quando vos for dito para que vos aperteis, (dando) nas assembléias (lugar aos demais), fazei-o; e sabei que Deus vos dará lugar no Paraíso! E quando vos for dito que vos levanteis, fazei-o, pois Deus dignificará os fiéis, dentre vós, assim como os sábios, porque está inteirado de tudo quanto fazeis. Ó fiéis, quando fordes consultar privativamente o Mensageiro, fazei antes uma caridade; isso será melhor para vós; e será mais puro; porém, se carecerdes de meios, sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.”
A confidência entre duas pessoas sobre um terceiro é motivo de irritação para este. E tudo aquilo que é motivo para irritar alguém é pecado no Alcorão. Por exemplo, jogar baralho com a intenção de criar a discórdia e a irritação alheia é pecado. Deus, na Surata n°5 - Al Ma’ida/A Mesa Servida - no Versículo n°91 nos diz: “Satanás só ambiciona infundir-vos a inimizade e o rancor, mediante as bebidas inebriantes e os jogos de azar, bem como afastar-vos da recordação de Deus e da oração. Não desistireis, diante disso?”
O ato de realizar jogos de azar tem muitos efeitos negativos. Um deles é fazer com que a pessoa perca o seu dinheiro e seu tempo, deteriorando o seu comportamento. O Alcorão toma os prejuízos do jogo de azar levemente, quando comparados à inimizade causada por ele. A difamação e a calúnia têm a mesma influência, apesar de o Alcorão não classificá-las de forma clara como pecado, ressaltando a sua influência negativa. Um dos pontos que é realmente considerado pecado é a maledicência ou “haibat”. A maledicência é uma das formas de difamação ou calúnia. Ela é praticada de forma escondida, falando-se pelas costas de alguém. Deus, na Surata n° 49 - Al Hujjurat/Os Aposentos - no Versículo n°12 nos diz: “Não vos espreiteis, nem vos calunieis mutuamente. Quem de vós seria capaz de comer a carne do seu irmão morto?” Este versículo convida os seres humanos a uma educação verdadeira e sincera. Mas, por que, neste versículo, praticar a difamação pelas costas de alguém é comparado à carne de seu irmão morto? Por que não foi comparado a uma pessoa viva e não morta? A resposta é que uma pessoa viva pode se defender e realizar a difamação. Já a ausência de uma pessoa não a permite se defender. O segundo ponto é que se parte do corpo de uma pessoa viva é retirada, o corpo a substituiu; mas, o corpo de um morto não tem como se regenerar. A honra de um muçulmano também é assim. Se algo de sua honra se perder, não poderá recolocá-lo em seu lugar novamente. Quer dizer, se alguém perder dinheiro, poderá reavê-lo. Se perder uma posição no trabalho, poderá reavê-lo. Mas, se sua honra se perder, não pode revê-la novamente. É como alguém que veste uma roupa branca e alguém lhe joga tinta preta. Por mais que limpe a sua veste, o efeito daquela tinta permanecerá. Algumas difamações chegam a brigas e até guerras. Deus, na Surata n° 9 - At Taubah/O Arrependimento - no Versículo n°12, nos diz: “Porém, se depois de haverem feito o tratado convosco, perjurarem e difamarem a vossa religião, combatei os chefes incrédulos, pois são perjuros; talvez se refreiem.” A provoção à religião e a lugares sagrados não deve jamais ser aceita. Na Palestina, uma das razões da Terceira Intifada, que está vigente atualmente, são as provocações dos sionistas. O objetivo desta Intifada (Levantamento) é que os sionistas parem com a profanação dos lugares sagrados islâmicos.
Segundo Sermão:
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