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Semões de sexta feira proferidos por sua Eminência:
Xeique Mohamad Sadek Ebrahimi

Tradução do persa ao português : Gamal Fouad El Oumairi
Revisão e Edição de texto: Omar Nasser Filho

 


25/12/2009 - O NASCIMENTO DO PROFETA JESUS (A.S)


Primeiro Sermão:

O NASCIMENTO DO PROFETA JESUS (A.S)

Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo 

Hoje é o dia 25 de dezembro e, para grande parte dos cristãos, é o dia de nascimento do Profeta Jesus (a.s).

O Profeta Jesus (a.s) não teve um nascimento normal, assim como o seu desaparecimento não foi normal, também.

Nós, anteriormente, neste mesmo local, falamos sobre a ressurreição de Jesus, mas hoje falaremos apenas sobre o seu nascimento. 

As pessoas normalmente vêm ao mundo provenientes de um pai e uma mãe, mas o Profeta Jesus (a.s) veio ao mundo sem um pai. E este ponto é um ponto de divergências entre as religiões divinas. Os judeus não acreditaram na divindade do Profeta Jesus (a.s) e o acusaram também.

Os cristãos têm o Profeta Jesus (a.s) como filho de Deus, ou parte de Deus. A visão do Islã é de que Maria, a mãe de Jesus, era uma mulher pura e o Sagrado Alcorão, em diversas passagens fala com relação a sua pureza, fazendo um contra-ponto à visão judaica.

Deus, na Surata n°66 - At Tahrim/As Proibições - no Versículo n°12 nos diz:

“E com Maria, filha de Imran, que conservou o seu pudor, e a qual alentamos com o Nosso Espírito”

O versículo explana de forma clara e objetiva as qualificações de Maria (a.s). O Alcorão Sagrado lembra outras mulheres, mas não as cita pelo nome. A única mulher que é lembrada pelo nome é Maria. Também não é lembrada uma, duas ou três vezes, e sim por trinta e quatro vezes. A história de vida de Maria é lembrada em doze trechos no Alcorão. Uma destas suratas tem o nome de “Maria”.

O Versículo acima nos explica que a importância de Maria foi a sua pureza o seu pudor. Na Srata n° 21 - Anbiyá/Os Profetas - o versículo n°91 nos diz:

“E (recorda-te) também daquela que conservou a sua castidade (Maria) e a quem alentamos com o Nosso Espírito, fazendo dela e de seu filho sinais para a humanidade.”

Novamente fala sobre a pureza de Maria (a.s.) e do alento de seu espírito. Este versículo nos esclarece o objetivo do porque Jesus (a.s.) ter vindo ao mundo sem um pai. Esta foi a resposta dos judeus. O Alcorão Sagrado nos coloca diversas razões e aos cristãos se dirige diversas vezes diretamente, dizendo que Jesus (a.s.) não é filho de Deus, ou parte de Deus, e não é Deus.

A única razão que os líderes cristãos colocam como sendo-lhes suficiente para acreditar que Jesus (a.s.) é parte ou Deus em si mesmo é que ele veio ao mundo sem um pai.

O Profeta Muhammad (S), quando percebeu que, mesmo utilizando a lógica e argumentos, os líderes cristãos não aceitavam o Islã, convidou-os para a “Mobahalla”, que é lembrada num versículo do Sagrado Alcorão. Uma mesquita foi construída naquele local. O Versículo da “Mobahalla” foi revelada na Surata n°3 - Aal Imran/A Família de Imran - nos Versículos n° 59 a 61:

“O exemplo de Jesus, ante Deus, é idêntico ao de Adão, que Ele criou do pó, então lhe disse: Seja! e foi. Esta é a verdade emanada do teu Senhor. Não sejas, pois, dos que (dela) duvidam. Porém, àqueles que discutem contigo a respeito dele, depois de te haver chegado o conhecimento, dize-lhes: Vinde! Convoquemos os nossos filhos e os vossos, e as nossas mulheres e as vossas, e nós mesmos; então, deprecaremos para que a maldição de Deus caia sobre os mentirosos.”

Este versículo nos leva à reflexão, pois nos diz que se Jesus (a.s.) não teve pai, o Profeta Adão (a.s.) foi gerado sem um pai e sem uma mãe. Então, o fato de Adão ter nascido assim nos autoriza a crer nele como Deus?

O versículo continua dizendo que, se com a lógica e os argumentos, eles não comungavam do ponto de vista islâmico, deveria ser dito a eles que trouxessem os seus companheiros, reunissem-se em um lugar específico e que o grupo, sem provas sobre o que pregavam com relação a Deus, fosse julgado por Ele. Isto significa a “Mobahalla”.

Uma das condições da “Mobahalla” é que a pessoa traga junto consigo as pessoas que mais gosta. O Profeta Muhammad (S) trouxe o Imam Ali (a.s) e sua filha Fátima Azzahará (a.s.), assim como seus netos Al Hassan e Al Hussein, como os representantes mais próximos.

Aqui temos um ponto importante que devemos lembrar: os Imames Hassan e Hussein eram bem pequenos ainda. Mas, o Profeta Muhammad (S) os levou junto para conversar com grandes personalidades cristãs. Vocês também devem levar seus filhos em atividades importantes. As crianças necessitam de programas religiosos, como leitura do Alcorão e outros, mais do que os adultos.

Os grandes sábios cristãos, no lugar e hora marcada, estavam aguardando o Profeta (S) e colocaram um regulamento: se o Profeta Muhammad (S) viesse com seus companheiros, fariam a “Mobahalla”. Contudo, se ele viesse com a Família Sagrada (a.s.), deveriam ter uma atenção especial e não fazê-la. Quando observaram que o Profeta (S) vinha com os membros de Ahl Al-Beit (a.s.), mudaram de idéia e desistiram. Quando viram que o Profeta (S) não estava blefando em suas palavras, desistiram e voltaram.

Nas narrativas, está escrito que o Profeta Muhammad (S) sentou-se de joelhos. Foi quando disseram aos líderes cristãos que ele havia sentado como os Profetas. Quando os convidou à Mobahalla, eles disseram: “Tememos que a maldição de Deus recaia sobre nós, que o ano não chegue ao seu fim e que todos os cristãos sejam eliminados por Deus”.

Em outra narrativa está escrito que o líder do sábios cristãos disse: “Juro por Deus que senti a presença de pessoas que, se quisessem que Deus retirasse uma montanha inteira de seu lugar, Deus o teria feito. Portanto, não façam a Mobahalla com ele, para que não sejam eliminados por Deus.” Não demorou muito tempo e vieram ao Profeta (S), trazendo-lhe presentes.

Segundo Sermão:

O QUE PODEMOS ABSTRAIR DA CELEBRAÇÃO DE ASHURA’?

Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo 

Na semana passada, falamos o porquê de lembramos ou fazermos a Ashura'. A primeira lição que adquirimos de Ashura é que devemos ter força de vontade. Mesmo que todo o mundo esteja contra um país, ele não sucumbirá.

O Imam Hussein (a.s), mesmo não tendo muitas pessoas ao seu lado, manteve-se firme e não se vendeu a Yazid. Quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait, a maioria deixou o país e fugiu, entre eles o príncipe. O maior grupo que esteve presente e defendeu o país era de xiitas, que aprenderam a resistir com o Imam Hussein (a.s.). O Movimento de Resistência do Líbano é um exemplo concreto de resistência. A homilia de Sayyed Hassan Nassrullah falou claramente que a troca de dois prisioneiros libaneses deveria ocorrer juntamente com outros presos palestinos.

A segunda lição que aprendemos com o Imam Hussein (a.s.) é que o sangue é vencedor sobre a espada. Não devemos pensar que o opressor se torna vitorioso assim que mata o oprimido. Yazid matou o Imam Hussein, mas até hoje, depois de 14 séculos, lembramos-nos de sua história e a revivemos. Esta é a vitória verdadeira.

A terceira lição que aprendemos com o Imam Hussein (a.s) é nos mantermos longe dos pecados. Temos três momentos no ano em que o muçulmano se distancia dos pecados: o 1° é no mês de Ramadã; o 2°, nos dias do Hajj e o 3°, nos dias de Ashura’.O Imam Redha (a.s) nos diz que chorar pelo Imam Hussein (a.s) faz com que diminuam os nossos pecados.

O 4° ponto é o instinto, que nos convida para a fé. Alguns homens pensam que para que sejam bem sucedidos em suas vidas, devem deixar seus sentimentos de lado. E este é um grande erro, pois normalmente o ser humano trabalha com seus sentimentos. O sentimento faz com que o ser humano pratique as ações. Se o trabalho levar em conta apenas a inteligência, o Diabo seria o ser mais adorado de todos, porque ele acredita nos princípios da religião.

Deus, na Surata n°38 - Sad - no Versículo n° 76, nos diz que o Satanás falou:

 “A mim me criaste do fogo, e a ele de barro.”

O Diabo também acredita na Ressurreição. Deus, na Surata n°38 - Sad - no Versículo n°79 nos diz:

“Disse: Ó Senhor meu, tolera-me, até ao dia em que forem ressuscitados!”

Outro assunto que gostaria de falar neste sermão é sobre um ano da invasão a Gaza, que se transformou em genocídio. Os países ocidentais, para acalmar as nações, começaram a falar em diversos tribunais sobre a condenação a Israel por estes crimes. E alguns destes países disseram que ninguém deve fugir deste genocídio.

Hoje, observamos que os países europeus mudam os seus regulamentos, para que possam liberar as ações criminosas de Israel. E nos causa vergonha quando vemos países agindo assim.

O outro assunto que quero falar no último sermão deste ano é que, na semana que vem, viajarei ao Irã. Eu, nesta ocasião, testemunho perante Deus que os esforços que pude realizei e fiz. E não coloquei a diferença entre sunitas e xiitas. De qualquer forma, se neste período curto houve algum erro de minha parte, peço a Deus que me perdoe e peço aos queridos irmãos também o seu perdão. Deus, na Surata n°5 - Al Maida/A Mesa Servida - no Versículo n°109, nos diz:

“Um dia, Deus convocará os mensageiros e lhes dirá: Que vos tem sido respondido (com respeito à exortação)? Dirão: Nada sabemos,”

Quero dizer com isso que as minhas recomendações eu fiz, dizendo o que é bom ou ruim para vocês. Agora, se vocês quiserem seguir, é para o seu próprio bem, assim como se não quiser, não responderei por seus atos. Eu convidei a todos a participarem do evento de Ashura’. Se vocês participaram, foi em seu beneficio e se vocês não participaram, eu não estou triste por sua ausência. Deus, na Surata n°9 - At Taubah/O Arrependimento - no Versículo n°120, nos diz:

“Não deveriam o povo de Medina e seus vizinhos beduínos se negar a seguir o Mensageiro de Deus, nem preferir as suas próprias vidas, em detrimento da dele”

O Alcorão é muito claro quando diz que as pessoas devem observar que o Profeta de Deus convida os homens ao bem, mesmo que as pessoas não o pratiquem. Deus, na Surata n°3 - Aal Imran - no Versículo n°68 nos diz:

“Os mais chegados a Abraão foram aqueles que o seguiram”

O versículo acima nos diz que o os mais próximos a Abraão (a.s.) são aqueles que o seguiram e não há razão para não o seguirem, pois ele não era nem judeu e nem cristão, mas sim um muçulmano sincero e monoteísta. Não era um dos associadores, como diz na mesma Surata no Versículo n°67:

“Abraão jamais foi judeu ou cristão; foi, outrossim, monoteísta, muçulmano, e nunca se contou entre os idólatras.”

Aquela época acabou e que entre os sunitas e xiitas não haja rivalidades. Hoje, os sunitas e xiitas estão unidos e adoram o mesmo Deus Único, assim como trabalham conjuntamente. Eu desejo que Deus o Altíssimo proteja a todos vocês e em breve retornarei se Deus quiser.   

 

 

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