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Semões de sexta feira proferidos por sua Eminência:
Xeique Mohamad Sadek Ebrahimi

Tradução do persa ao português : Gamal Fouad El Oumairi
Revisão e Edição de texto: Omar Nasser Filho

 


13/11/2009 - A MORTE E SEU IRMÃO


Primeiro Sermão:

A MORTE E SEU IRMÃO

Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo

Em uma narrativa, o Profeta Muhammad (s.a.w) nos diz que:

“A morte é irmã do sono”.

Eu acrescentaria que o sono é irmão gêmeo da morte.

Há similaridades múltiplas entre os dois. Se a morte para nós é algo desconhecido e o sono para nós é algo conhecido, então este pode nos demonstrar o que é aquela. Se um de nós não experimentou o que é a morte, ao menos já experimentou por diversas vezes o que é o sono. E por este meio podemos, então, conhecer um pouco mais sobre a morte.       

A forma de dormir e de morrer é a mesma. Os olhos se fecham, ficamos esticados no chão e perdemos os sentidos em relação à vida terrena.

O intelecto, no momento do sono e da morte, não tem atividades, não tendo o ser humano influência sobre ele nesta condição.

O sono é uma pequena morte e a morte é um sono profundo.
No Islã, aquele que adormece perde a sua ablução, tendo que refazê-la e o corpo daquele que morre tem de ser lavado. Isso porque a ablução, no Islã, serve para pequenos trabalhos e o banho para atividades maiores.

O sono é uma morte leve e a morte é um sono profundo. Da mesma forma, o sono é uma morte curta e a morte, um sono longo.

Quando o Imam Jawad (a.s) foi perguntado sobre isso, certa vez, respondeu:

“A morte é o sono que observas todos os dias, mas seu período é mais longo. Apenas no dia da Ressurreição tu acordarás deste sono.”

Portanto, podemos dizer que o sono é uma morte em que há retorno e que a morte é um sono do qual não se volta. Deus o Altíssimo, na Surata n°38 – Sad - no versículo n°15, nos diz :

“E não aguardam estes, senão um só estrondo, que não demorará (a vir).”

A palavra “fawak”, no idioma árabe, quer dizer que o ser humano não será acordado.

No Alcorão Sagrado, algumas vezes, para a morte e para o ato de morrer, utiliza-se uma palavra apenas: “wafat”. 

Na surata n°39 - Az Zumar/ Os Grupos - no versículo n°42, Allah nos diz:

“Deus recolhe as almas, no momento da morte e, dos que não morreram, ainda (recolhe) durante o sono. Ele retém aqueles cujas mortes tem decretadas e deixa em liberdade outros ”.

Entre a alma e o espírito há duas diferenças principais. A surata n°17 - Al Isrá/A Viagem Noturna -, no versículo n°85, nos diz:

“Perguntar-te-ão sobre o Espírito. Responde-lhes: O Espírito está sob o comando do meu Senhor”.

Não há nenhuma descrição com relação ao espírito. Mas, com relação à alma, há muitas. O Alcorão explica em diversos versículos a respeito da alma e suas características. 

A segunda diferença é que o espírito, depois que adentra ao corpo, não sai mais, a não ser no momento da morte. Já a alma sai em duas ocasiões para fora do corpo: a primeira é no sono e a segunda na morte.

Baseados no versículo acima, podemos dizer que o sono é uma morte incompleta, enquanto que a morte é um sono completo.
Nas narrativas está relatado que quando alguém deseja dormir, deve recitar esta súplica:

”Deus, protege minha alma, a qual entrego a Teus cuidados. Se Tu a retiveres, sê misericordioso comigo; e se a fizeres retornar e eu acordar, que  me protejas.”

A mortalha em que somos envolvidos é como o lençol com o qual nos cobrimos quando dormimos. Então, o lençol pode ser comparado a uma mortalha para aqueles que estão vivos.

Enquanto que a mortalha serve para enrolar ou envolver aqueles que estão mortos apenas. A cama em que dormimos é como um caixão para aqueles que estão vivos. E o caixão é como uma cama para aqueles que já morreram.

O Profeta Muhammad (s.a.w) dormia sobre a mão direita, parecido exatamente com a posição de um morto em seu túmulo.   

Se o ser humano tiver convicção de que morte é uma irmã do sono, não a temerá, da mesma forma que não tem medo do sono. Devemos ter convicção de que a morte e o sono são irmãos.

Um das coincidências que existem entre a morte e sono é que os dois não sentem a passagem do tempo. No Alcorão Sagrado está escrito que “por séculos adormeceram”, como a surata de Al Kahaf. Ou para o Profeta Ozair (a.s), na Surata n°18 - Al Kahaf/a Caverna - no versículo n°18, que nos diz:
         
“(...) apesar de estarem dormindo”.

Nos livros de interpretação está relatado que eles permaneceram dormindo 309 anos. Quando perguntaram ao povo da caverna quanto tempo eles haviam dormido, disseram:

“Estivemos dormindo um dia, ou parte dele!”

Quando alguém morre, se lhe perguntarem “quanto tempo você viveu?”, é possível que ele dê esta mesma resposta: “um dia ou parte dele”. Deus o Altíssimo, na Surata n°2 - Al Baqara/A Vaca - no versículo n°259 nos diz:
 
“Tampouco reparastes naquele que passou por uma cidade em ruínas e conjecturou: ‘Como poderá Deus ressuscitá-la depois de sua morte?’ Deus o manteve morto durante cem anos; depois o ressuscitou e lhe perguntou: ‘Quanto tempo permaneceste assim?’ Respondeu: ‘Permaneci um dia ou parte dele’. Disse-lhe: Qual! ‘Permaneceste cem anos’.”

No Dia do Juízo Final também será assim. Deus, na Surata n°17 - Al Isrá /A Viagem Noturna - no versículo n°52 nos diz:

“Será no dia em que Ele vos chamar e em que vós O atendereis, glorificando os Seus louvores; e vos parecerá que não permanecestes ali senão pouco tempo.”

Para aquele que está morto ou dormindo, sua alma não está ligada a um lugar específico. O oriente e o ocidente são indiferentes, podendo estar nos dois, simultaneamente. E o espírito do ser humano, nesta situação, é como as ondas eletromagnéticas que captamos pelas antenas: O ser humano, de um lado do planeta, se encontra diante de uma câmera e milhões de pessoas em seus lares o acompanham simultaneamente.

Os psicólogos dizem que o sonho que sonhamos, na verdade, não passa de alguns segundos, enquanto que nós imaginamos que durou um longo tempo.    

O ser humano, durante o sono, tem um sonho bom ou um pesadelo. E os dois tipos de sonho têm relação com o que ele ingeriu de alimentos. A morte também é assim: o ser humano será plenamente feliz ou sofrerá o castigo.

Os mártires, depois da morte, têm uma vida feliz. Deus, na Surata n°3 - Al Imran/A Família de Imran - no versículo n°169 nos diz:

“E não creiais que aqueles que sucumbiram pela causa de Deus estejam mortos; ao contrário, vivem, agraciados, ao lado do seu Senhor”

Esta vida a que se refere o versículo corânico está relacionada com a Eternidade.

Em outro versículo, que vem logo após o anterior, Allah nos diz:

“Estão jubilosos por tudo quanto Deus lhes concedeu da Sua graça”

Com relação a este versículo, ele nos diz que será uma vida feliz e próspera e não um pesadelo. Se aquilo que viram depois desta vida não fosse algo bom, não teriam sido felizes. Outros versículos nos dizem que eles verão seus lugares no Paraíso e lhes perguntarão se gostariam de retornar à vida terrena. Eles responderão que não, que aquilo que Deus lhes concedeu é bem melhor. Ao contrário das pessoas condenadas, que quando observarem seu lugar no inferno, dirão: “Nós éramos cegos, surdos e mudos”. Então, solicitarão que Deus lhes dê outra chance para que retornem à face da terra para fazer aquilo que não fizeram. A Surata n°32 – As-Sajda /A Prostração - no versículo n°12 nos diz:

“Ó Senhor nosso, agora temos olhos para ver e ouvidos para ouvir! Faze-nos retornar ao mundo, e se regozijam por aqueles que ainda não sucumbiram, porque estes não serão presas do temor, nem se atribularão.”

Da mesma forma que o ser humano, no momento do sonho, recebe informações do inconsciente e até mesmo do além, também no Dia do Juízo Final receberá informações. Da mesma forma que durante o sono a pessoa recebe revelações, na outra vida também as receberá. Se levarmos em consideração que o sono é um tipo de morte, então deduzimos que as almas daqueles que morreram se encontram com as almas dos que estão vivos e trocam informações.

Temos nas narrativas que Salam Mohammadi (sábio persa) disse a Abdullah Ibn Salam:

“Se tu morreres antes de mim, vem durante o meu sono e me dá informações do que aconteceu contigo.E se eu morrer antes de ti, também virei até ti e te informarei sobre o que ocorreu comigo.”

Disse Abdullah Ibn Salam: “Como isso é possível? De que forma? Por acaso eu tenho esta condição de poder me encontrar e falar com que eu queira após a morte?”

Respondeu Salam Mohammadi: “Sim, é possível, as almas dos crentes no limbo podem ir para onde bem entenderem.”

Daqui entendemos que se duas pessoas quiserem se encontrar, poderão fazê-lo sim sem maiores problemas. Mas, não é suficiente apenas um lado querer, e sim os dois. Mais ou menos como a conversa no programa “Messenger”. 

Nas narrativas também temos um relato de Malik Ibn Annass, que nos diz: “Disseram-me que a alma de uma pessoa morta pode ir para onde bem entender.”

Em outro livro, do sábio Tabari, intitulado “Jameh Al Baian”, ele narra: “A alma da pessoa que está dormindo pode se encontrar com a alma de pessoas falecidas.”

Também do Imam Ali (a.s) temos uma narrativa que nos diz:

“Aquilo que a alma vê quando sai do corpo é tudo real, até antes de voltar ao corpo.”

Por este fato, foi dito que nos sonhos aquilo que nós vemos é, na verdade, nossa atenção plena que ocorre durante o sono. Se a morte é parecida com o sono, a Ressurreição no Dia do Juízo Final será parecida com o acordar de um sonho.

Deus, na Surata n°6 - Al An’am/O Gado - no versículo n°60 nos diz:

“Ele é Quem vos recolhe, durante o sono, e vos reanima durante o dia, bem sabendo o que fazeis, a fim de que se cumpra o período prefixado; logo, a Ele será o vosso retorno e, então, Ele vos inteirará de tudo quanto houverdes feito.”

Também temos uma narrativa do Profeta Muhammad (s.a.w) nos diz: “Por Deus que me enviou como Profeta que tu morrerás da mesma forma que dormes. E no Dia da Ressurreição serás acordado da mesma forma.”

Segundo Sermão:

 

 

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