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14/08/2009 -
A HOSPITALIDADE DE DEUS (p.1 e 2)
Primeiro Sermão:A HOSPITALIDADE DE DEUS (p.1 e 2) Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo Hoje, continuaremos a explicação sobre o sermão do Profeta Muhammad (s.a.w) no mês de Shaaban. Disse ele (s.a.w): “Durante um mês vós sereis chamados à hospitalidade de Deus.”
Esta é uma hospitalidade especial por algumas razões: 1) Deus é o autor da hospitalidade; 2) O cartão de convite é o Alcorão; 3) Deus pessoalmente convida e pessoalmente o recebe. Em uma narrativa está escrito que Deus falou: "O jejum é para mim e sua recompensa eu a dou.” Algumas vezes temos ordens em que Deus delega ao Profeta s.a.w) que ele convide as pessoas; outras vezes é Deus mesmo quem convida diretamente. Algumas vezes o homem convida pessoalmente alguém; outras envia seu filho para convidar. Há diferença nisto. 4) O Lugar da recepção é sagrado: são as mesquitas. Se uma pessoa fizer o jejum e depois ficar em casa assistindo seriados de televisão, que diferença existe em fazer o Ramadã? 5) Este convite é para todos. O convite de Ramadã é para todos, sem exceção. Mas, quando nós somos quem convida, limitamos a algumas pessoas, apenas. Algumas vezes adentramos a um lugar ao qual fomos convidados e percebemos que todos são ricos ou grandes autoridades e não encontramos nenhum pobre entre eles. Outras vezes percebemos o contrário: vemos apenas pobres. O convite deste ano para a quebra de jejum é extensivo a todas as pessoas, sejam pobres ou ricas, autoridades ou não. 6) O convite divino no mês de Ramadã é a fome e a sede. Nós, durante todo um ano, somos convidados de Deus e das bênçãos divinas. Mas o convite de Deus é a um jejum de alimentos e líquidos, o que faz com a alma se purifique. Faz com que o homem se aproxime mais de Deus e passe a entender melhor as bênçãos divinas. Uma noiva, certa vez, disse ao seu noivo: “Por que não me dá um anel de presente para que cada vez que observe o anel me lembre de ti?”. Então, o noivo respondeu: “Cada vez que observar o seu dedo e não ver o anel, lembre-se de mim”. Deus, no mês de Ramadã, deseja que a cada momento em que sinta fome e seu estomago esteja vazio lembre-se d’Ele. O Vaticano dá importância especial à decoração para que ela leve os cristãos à recordação de Deus. Na Caaba, temos justamente o contrário: A simplicidade da Caaba nos leva à recordação de Deus. O prazer terreno é temporário com relação à matéria, mas o prazer divino é eterno. A casa ou um carro podem ir no máximo até próximos de um túmulo, mas as ações morais vão para além dele. As frutas comestíveis nos proporcionam algumas vitaminas, não todas. Mas o alimento moral está ligado a tudo e é completo. Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata n° 16 - An Nahl/As Abelhas - no Versículo n°89, nos diz: “Temos-te revelado, pois, o Livro, que é uma explanação de tudo”. O convite ao mês de Ramadã se dá de duas formas: 1) A hospitalidade de Deus para com o ser humano; 2) A hospitalidade do ser humano para com outro ser humano; Aquele que proporciona a quebra de jejum a outros o faz para comprazer a Deus. E este é um dos atos mais recomendáveis no Islã. Receber os jejuadores é uma adoração a Deus, se a intenção for a de se aproximar d’Ele. No Alcorão Sagrado, na Surata n°76 - Al Insan/O Ser Humano - no Versículo n°9, Allah (SWT) nos diz: “Certamente, vos alimentamos por amor a Deus; não vos exigimos recompensa, nem gratidão.” O Profeta Muhammad (s.a.w) nos diz: “O visitante é a razão do Paraíso.” Quando alguém visita um país, necessita que alguém o guie e oriente. A aceitação no Paraíso depende da aceitação dos visitantes. Em uma narrativa do Imam Sadiq (a.s) temos: “Proporcionar o jejum a um irmão muçulmano é melhor do que o jejum que tu realizaste.” Uma narrativa de Hussein ibn Anna’im Assahaf nos conta que o imam Sadiq (a.s) disse a ele: “Você gosta de seu irmão muçulmano?” Disse Hussein: “Sim”. Novamente pergunta o Imam Sadiq (a.s):“Você convida seus irmão para quebrar o jejum?” Disse Hussein: “Eu só como até que meus convidados comam.” Disse o Imam: “Saiba que o direito deles sobre você é maior que o seu direito sobre eles.” Disse Hussein: ”Por Deus, lhes proporciono o iftar, os recebo bem, depois me encarrego de limpar e reorganizar tudo. Como pode o direito deles ser maior que o meu?” Disse o Imam: ”A recompensa que tens será tão grande que a recompensa que pleiteias comparada a ela nada é.“ Receber o visitante é um ato sugerido até para os pobres ou pessoas menos favorecidas. O Profeta Muhammad (s.a.w) neste mesmo sermão chamado “Shaabaniya” nos diz: “Temei a Allah (distanciai-vos da ira de Allah) mesmo que seja (dando) um copo de água (ao crente que esteja prestes a quebrar o seu jejum) e distanciai-vos do Fogo, mesmo que seja (dando) um pedaço de uma tâmara (ao crente que esteja prestes a quebrar o jejum).”
Segundo Sermão:
A HOSPITALIDADE DE DEUS (p. 2) Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo O Profeta Muhammad (s.a.w) aconselha que até as famílias mais pobres devem proporcionar o desjejum, não devendo se importar com o tipo de comida que será oferecida. O Alcorão Sagrado não diz: “Por que ao pobre não deu comida se não tinhas condições”, mas pergunta “Por que aos outros que tinham a possibilidade de convidarem a outros não os sugeriu”. Deus, na Surata n°107 - Al Ma’um/Os Obséquios - no Versículo n°3, nos diz: “E não estimula (os demais) à alimentação dos necessitados.” Você que não pode oferecer o desjejum aos pobres, ao menos diga aos outros que têm condições que o façam. O Imam Assádiq (a.s) disse a um de seus discípulos: - “Será que você sabe que noite é esta?” Disse o Aluno: - “É a primeira noite do mês de Ramadã.” Disse o Imam: - “Você não tem a intenção de libertar dez pessoas presas toda noite?” Perguntou ele: - “De que forma?” Disse o Imam: - “Proporcione dez quebras de jejum.” Um dos objetivos de se proporcionar o desjejum é diminuir as diferenças entre as pessoas, sejam elas familiares ou amigos. O Profeta Muhammad (s.a.w) estava ocupado numa oração e uma caravana se aproximou e andou rápido. Quando ele terminou a oração, alguém lhe perguntou: “Onde está a caravana?”. Disse o profeta zangado: “Se Jaafar Ataiar estivesse aqui, não teria deixado que se fossem sem que lhes tivesse oferecido um almoço ou qualquer coisa.” O Profeta Muhammad (s.a.w) recebia até os incrédulos e os convidava para o desjejum do Ramadã. Alguns muçulmanos não proporcionam a quebra de jejum porque temem que aqueles que não jejuam também comam dessa comida. E isto não é certo. Aquele que proporciona a quebra de jejum deve ficar na porta da casa esperando aos visitantes. Não deve perguntar ao visitante se deseja comer e sim colocar a comida à sua frente. Ao visitante não se deve dar trabalho algum. Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata n°38 – Sad - no Versículo n°86, nos diz: “E não me conto entre os simuladores.”
O que é mais bonito no jejum é a simplicidade e a limpeza. O Imam Assadiq (a.s) nos diz: “O muçulmano não deve dar nenhum trabalho ao seu irmão jejuante. E não sei qual dos dois é mais estranho em suas ações: Aquele que espera que seu irmão crente se canse fazendo-o trabalhar como visitante, ou aquele que se esforça para agradar ao seu irmão”.
Originalmente, dar obrigações a um visitante faz com que ele o veja de forma ruim, negativa, desejando o quanto antes ir embora. Quando fazemos isto, perdemos uma grande chance de receber recompensas divinas. Muitas tradições que existem em sociedade fazem com que as pessoas fiquem confusas, sendo que no Islã isso não tem justificativa lógica alguma. Não devemos criar diferenças entre os convidados. Muitas vezes, o luxo do ambiente faz com que haja separação entre as pessoas. Aquele que deseja participar de um evento não deve ir, a não ser que seja convidado. Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata n°33 - Al Ahzab/Os Partidos - no versículo n° 53 nos diz: “Salvo se tiverdes sido convidados a uma refeição” Não deves levar crianças contigo porque um gato, aonde vai, leva seus filhos consigo. Até mesmo se quem estiver convidando for uma pessoa caridosa. Algumas vezes, as crianças bagunçam, sujam tudo e fazem barulho. Disse o Profeta (s.a.w): “Se um de vós for convidado, não deves levar seu filho junto. Se o levar, cometeu um pecado, assim como a comida que comer se torna ilícita sem a permissão de seu dono.”
Aquele que convida deve levar em consideração que muitos pais não têm onde deixar os seus filhos. Isto para convites particulares, mas para os nossos jantares na Sociedade devemos trazer todos. Um outro ponto é que aquele que foi convidado não deve recusar o convite e sim participar. O homem pão-duro não vai, para não ter de convidar os outros também. Quando devemos aceitar um convite? Deus, no Alcorão Sagrado, na Surata n°33 - Al Ahzab/Os Partidos - no Versículo n° 53 nos diz: “(...) Mas não para aguardardes a sua preparação”. Com relação ao agradecimento a quem nos convidou, deve ser da mesma forma que colocamos sal na comida: Um agradecimento simples e nada mais. |