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15/05/2009 -
A UNIÃO ENTRE OS MUÇULMANOS/OS 61 ANOS DA NAKBA
Primeiro Sermão:A UNIÃO ENTRE OS MUÇULMANOS/OS 61 ANOS DA NAKBA Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo Deus no Sagrado Alcorão, na Surata n°3 (Al Imran/A Família de Imran), Versículo n°103, nos diz: “E agarrai-vos todos à corda de Alhah e não vos separeis.” Neste versículo, há duas frases: a primeira relacionada com a unidade dos muçulmanos; a segunda com relação a não nos distarmos e cairmos no perigo da divisão. Nós, no primeiro sermão, falaremos sobre a unicidade e no segundo sobre como devemos nos distanciar dos fatores que causam divisão. Entendemos que uma corda é feita de fios fracos, que com facilidade se cortam; mas, quando unidos, tornam-se fortes. A corda é exemplo de força, enquanto um fio só, de fraqueza. Este é o segredo da união entre os muçulmanos. O exemplo foi de um fio fraco, mas se estivermos falando da fé, a sua força se multiplicará. Quando um fio está sozinho, perde a sua força e quando unido a outros fios, torna-se forte. Os muçulmanos também são assim. O mais importante assunto citado no versículo acima é que esta corda seja uma corda Divina. Uma corda política, étnica, racial não tem sua força de fé em Deus. Ser bem sucedido em um grupo ou numa comunidade tem dois aspectos: 1) O trabalho em conjunto entre todos os membros do grupo; 2) A prevenção de todo tipo de separações e divergências entre o grupo. Isto é parecido com o trabalho que os bombeiros exercem. Quando eles desejam apagar um incêndio, não é suficiente apenas que tenham as mangueiras de água. A mangueira em si tem de estar ordem e em boas condições, sem furos e vazamentos. Uma comunidade também deve ser assim. Ela deve ter um objetivo e todos devem unir-se neste sentido, caminhar junto e prevenindo-se de eventuais problemas. Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata n°8 (Al Anfal/Os Espólios), no Versículo n°46, nos diz: “E obedecei a Deus e ao Seu Mensageiro e não disputeis entre vós, porque fracassaríeis e perderíeis o vosso valor. “ Dos motivos para o conflito que algumas pessoas colocam entre os muçulmanos, estão as divergências externas, como colocar nossas mãos ao lado do corpo ou estendê-las. Isto não ajuda a resolver os problemas. A união entre os muçulmanos tem mais importância do que a execução das Leis Islâmicas. Por exemplo, sabemos que mentir é um dos pecados grandes, mas quando a mentira é usada para conciliar um casa, não só não é um pecado, mas tem suas recompensas. Contudo, se for motivo para que haja a separação entre um casal, então se torna um pecado. Como resumo, temos que a união entre um casal é mais importante que dizer a verdade. Este é um exemplo que estamos citando entre duas pessoas. As relações numa sociedade islâmica são mais importantes que dentre duas pessoas apenas. A união entre os muçulmanos é mais importante ainda que a crença nos princípios da religião. Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata n° 7 (Al’ Araf/Os Cimos), no Versículo n° 142, nos diz: “Ordenamos a Moisés trinta noites (de solidão), as quais aumentamos de outras dez, de maneira que o tempo fixado por seu Senhor foi, no total, de quarenta noites. E Moisés disse ao seu irmão Aarão: Substitui-me, ante meu povo; age de modo correto e não sigas a senda dos depravados.” O acordo foi que o Profeta Moisés (a.s) ficasse 30 dias, mas Deus lhe ordenou que ficasse 10 dias a mais. O povo que vivia com Moisés, quando percebeu que ele demorou mais que 10 dias, reuniu ouro fez um bezerro, passando a adorá-lo. Deus, na mesma Surata N°7, no Versículo n°150, nos diz: “Quando Moisés voltou ao seu povo, colérico e indignado, disse-lhes: Que abominável é isso que fizestes na minha ausência! Quisestes apressar a decisão do vosso Senhor? Arrojou as tábuas e, puxando pelo cabelo seu irmão, arrastou-o até si (...)”. Aarão (a.s.), que era um Profeta, nos ensina através de um exemplo muito importante a importância da união, pois disse Deus, na Surata n°20 (Taha), no Versículo n° 94: “Suplicou-lhe (Aarão): ‘Ó filho de minha mãe, não me puxes pela barba nem pela cabeça. Temi que me dissesses: Criaste divergências entre os israelitas’”. O significado deste versículo é que se os homens estiverem unidos e associados, é melhor do que aqueles que pregam a unicidade e estão separados. Isto quer dizer que a união entre os muçulmanos é mais importante que seguir os princípios, apenas. Então, temos como conclusão que o objetivo de todo muçulmano, quando se deparar com pessoas que se desviaram e disseminam a discórdia entre os muçulmanos, não dêem atenção a tais elementos. Um dos fatores da união entre os muçulmanos é a participação de seus membros. Um dos fatores que fizeram com que Samerri, em 10 dias, fosse bem sucedido e transformasse os homens de monoteístas em idolatras, foi o fato de ter feito com que as pessoas participassem. De cada casa ele pegou uma parte em ouro e quando fez o bezerro, todos se sentiram donos dele. Contjdo, o Profeta Aarão (a.s) trabalhava gratuitamente para Deus. Deus, na Surata n°7, versículo n°150, nos diz: “Ó filho de minha mãe, o povo me julgou débil e por pouco não me matou.” Os homens, antigamente, seguiam a unicidade e 10 dias depois estavam auxiliando o politeísmo. Às vezes, a razão da divisão é a ação dos opressores e outras o instinto humano, ou os dois simultaneamente. Deus, em um versículo corânico, lembra os três fatores. Na Surata n°6 (Al Ana’am/O Gado), no Versículo n°65, nos diz: “Dize (mais): Ele é capaz de infligir-vos um castigo celestial ou terreno, ou confundir-vos em seitas”
Segundo Sermão:
A UNIÃO ENTRE OS MUÇULMANOS/ OS 61 ANOS DA NAKBA Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo Um dos fatores de separação entre os muçulmanos é o aproveitamento das nações ocidentais e as relações de alguns países islâmicos com eles. Um dos métodos mais antigos e mais conhecidos de disseminar a discórdia é dizer que parte dos muçulmanos e incrédula (káfer). Todo aquele que for contra os objetivos políticos ou econômicos de uma determinada nação ou grupo de pessoas, no mundo islâmico, é julgado precipitadamente como um incrédulo. Com relação a este assunto, o Alcorão nos adverte com firmeza. Deus, na Surata n°4 (An Nissá/As Mulheres), no Versículo n°94, nos diz: “Ó fiéis, quando viajardes pela causa de Deus, sede ponderados; não digais, a quem vos propõe a paz: ‘Tu não és fiel’– com o intento de auferirdes (matando-o e despojando-o) a transitória fortuna da vida terrena. Sabei que Deus vos tem reservado numerosas fortunas. Vós éreis como eles, em outros tempos; porém Deus voa agraciou (com o Islã). Meditai, pois, porque Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis.” O sábio teólogo Tabari nos diz em seu tafsir (exegese) que este versículo foi revelado na época de um dos comandantes islâmicos. Ao final de uma operação militar, após atacar os inimigos, um dos opositores imediatamente se tornou muçulmano. Mas, o comandante militar não o perdoou e o matou. Então, Deus revelou um versículo por causa deste fato trágico, em que diz que se um muçulmano for julgado como incrédulo, isto não deve ser um fator para desunir os muçulmanos. Os muçulmanos devem se esforçar para conseguir numerosas fortunas com suas ações e se distanciar de visões estreitas e limitadas. Outro fator que causa a divisão entre os muçulmanos é a falta de uma especificação entre quem é amigo ou inimigo e entre o que é mau e o que é bom. Deus, na Surata Al Muminun/Os Crentes, no Versículo n° 53, nos diz: “Ó mensageiros, desfrutai de todas as dádivas e praticai o bem, porque sou Sabedor de tudo quanto fazeis! E sabei que esta vossa comunidade é única, e que Eu sou o vosso Senhor. Temei-Me, pois! Porém, os povos se dividiram em diferentes seitas, e cada uma se satisfez com a sua crença. Deixa-os entregues a seus extravios, até certo tempo. Pensam, acaso, que com os bens e filhos que lhe concedemos, aceleramos-lhes as mercês? Qual! De nada se apercebem! “ Apesar de este versículo ser destinado aos Profetas em especial, também o é para todos aqueles que trabalham pela divulgação da bandeira da religião. O objetivo deste versículo corânico é esclarecer que os seres humanos são uma única nação e que Deus é Uno, também. Mas algumas pessoas se diferenciam em relação às outras. De acordo com o versículo acima, mesmo no desvio, alguns grupos estão satisfeitos com aquilo têm a sua disposição. O Alcorão nos diz, porém, que a sua alegria não tem uma razão lógica. Deus afirma que se lhes for dado dinheiro e poder, isso não quer dizer que estarão sendo privilegiados sobre os demais. Ele, no Sagrado Alcorão, na Surata n°30 (Ar Rum/Os Bizantinos), Versículos n°31 e 32, nos diz: “E não vos conteis entre os que (Lhe) atribuem parceiros. Que dividiram a sua religião”
A diversidade da comunidade islâmica não representa sua fraqueza e sim sua força. A presença de partidários do xiismo e sunismo, negros e brancos, árabes e não árabes nas orações de sexta-feira ou no Hajj é um dos exemplos da força do Mundo Islâmico. Quando um jardineiro quer apurar o gosto do fruto, pega o galho de um limoeiro e de uma laranjeira e os mescla. Algumas vezes, a diversidade de uma única árvore pode nos dar diversos sabores. Apesar de a árvore ser uma só. Um dos fatores que agem no sentido contrário, ou seja, causam a união entre os muçulmanos, é a liderança religiosa. A falta dela causa divisão na sociedade. Deus, no Sagrado Alcorão, na Surta n°3 (Al Imran/A Família de Imran), no Versículo n°144, nos diz: “Mohammad não é senão um Mensageiro, a quem outros mensageiros precederam. Porventura, se morresse ou fosse morto, voltaríeis à incredulidade? Mas quem voltar a ela em nada prejudicará Deus; e Deus recompensará os agradecidos.”
Então, entendemos que um dos fatores que fizeram com que os muçulmanos fossem derrotados na batalha de Uhud foi a divulgação de que o Profeta Muhammad (s.a.w) teria morrido. Os combatentes não sabiam quem seria o líder após a morte do Profeta (s.a.w). Hoje também se os muçulmanos desejarem se manter unidos, têm de ter um líder que os una. Deus, na Surata n°4 (An Nissá/As Mulheres), no Versículo n°83, nos diz: “Ao tomarem (os hipócritas) conhecimento de qualquer rumor, quer seja de tranqüilidade ou de temor, divulgam-no espalhafatosamente. Porém, se o transmitissem ao Mensageiro ou às suas autoridades, os discernidores, entre eles, saberiam analisá-lo. Não fosse pela graça de Deus e pela Sua misericórdia para convosco, salvo poucos, teríeis todos seguido Satanás.”
A maioria dos problemas que existem no mundo está na falta de especificação a que se refere o versículo (“às suas autoridades”) . Com relação aos 61 anos da Nakba – Tragédia marcada pela expulsão dos palestinos de sua terra, em 1948 – temos a dizer que depois de tanto tempo de ocupação, nada ocorreu além de pactos mentirosos. Hoje, os países ocidentais, como o Vaticano, por meio do Papa, pedem um estado palestino independente. Os muçulmanos não devem acreditar nessas promessas e deixar de cumprir com a sua missão. Devem se manter unidos e lutar para tornar a Palestina livre, soberana e independente. |