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01/05/2009 -
PRINCÍPIOS ISLÂMICOS (P.4): A PROFECIA/HOMENAGEM AO TRABALHADOR
Primeiro Sermão:PRINCÍPIOS ISLÂMICOS (P.4): A PROFECIA/HOMENAGEM AO TRABALHADOR Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo Nós, até agora, falamos da importância dos princípios, de que forma devemos reatar as bases, e de que forma devemos pesquisar sobre o Criador do Universo. Também falamos sobre o Monoteísmo. Hoje falaremos sobre a Profecia. A Profecia é um dos temas mais extensos de pesquisa no Alcorão. No Livro Sagrado existe uma surata completa chamada “Os Profetas” e outras que também citam vários nomes de Profetas. Aquele que acredita no Criador também deve acreditar de modo natural na Profecia. Quando o ser humano fabrica um vidro de remédios, coloca uma bula junto a ele com as instruções daquilo que devemos ou não fazer. Por exemplo, manter o frasco em lugar fresco e não num lugar que pegue a luz do sol. Ou a forma como deve ser usado o medicamento, assim como a quantidade a ser consumida: para uma criança uma pequena colher de sopa; para uma pessoa adulta, uma colher grande. Quanto mais difícil a produção de um produto, maior a necessidade de treinamento e mão de obra especializada. O universo em que vivemos é muito mais complexo do que a fabricação de carros e aviões. Então, de que forma o Criador, na sua Sabedoria, Que nos gerou e nos deu a vida, poderia ter nos largado na face da terra, sem nenhuma instrução ou informação? De que modo o ser humano deveria seguir a sua vida sem que tivéssemos Profetas como guias e um livro sagrado como o Alcorão? Sendo assim, é imprescindível acreditarmos na Profecia. Assim como o farmacêutico, o Criador do Universo é Quem deve nos orientar e nos dizer o que é bom ou ruim para nós. As leis que o ser humano faz por si próprio são como um doente que usa um medicamento por conta própria. O ser humano que com uma simples gripe fica debilitado não tem condições de fazer um regulamento para a humanidade. Sem dúvida, ele necessita de um livro sagrado e de um profeta como guia e orientador. Uma das diferenças entre um ser humano e um animal é que o homem trabalha baseado em seu conhecimento e o animal trabalha com base no seu instinto. O animal, desde que nasce, segue o seu instinto. Mas o ser humano não é assim. Quando nasce, o ser humano vem ignorante a este mundo, não sabe nada. E necessita de um professor que lhe ensine. As faculdades, por exemplo, nos ensinam conhecimentos experimentais. Mas o ser humano não pode ter apenas conhecimentos passados. Necessita de conhecimentos também para o futuro. Muitas vezes, encontra-se impossibilitado em muitas áreas do saber. Por exemplo, como saber sobre a vida pós-morte se ele não a vivenciou? E aquele que experimentou a vida pós-morte não retornou para dizer como ela é. E aquele que retornou à vida depois de um coma não morreu na verdade, mas esteva num estado parecido com a morte e retornou. Quando o Imam Reda (a.s) visitou um doente perguntou a ele: “Como você vê neste instante?” Disse o homem: “Eu vi a morte com meus olhos.”O Imam lhe disse então: “Você não viu a morte, o que a viu foi apenas um exemplo do que ela é.” A maior parte das pessoas vê que sua alma saiu do corpo nesta fase. Se o ser humano deseja entender o verdadeiro sentido da morte, deve ler os livros da Revelação Divina e o caminho do conhecimento dos Profetas para entendê-la. A função do Profeta é a de um professor que explica um conhecimento que o homem já experimentou e outros conhecimentos jamais experimentados. O Alcorão Sagrado, na Surata n°2 “AL BAQARA” (A Vaca), no Versículo n°151, nos diz: “(...) bem como tudo quanto ignorais.” Este versículo não nos diz que Ele nos ensinará aquilo que não sabemos, mas que ninguém conhecerá a não ser que Deus revela este conhecimento. Os economistas talvez consigam ver o futuro da bolsa de valores, mas se todos os estudiosos da natureza se unissem, não conseguiriam soluções para os problemas referentes a ela. Assim como as coisas que estão ligadas às experiências no conhecimento, a revelação tem um papel importante. Por exemplo, o Islã há quatorze séculos atrás proibiu o consumo da carne suína. O ser humano, há mais de um século, descobriu uma forma de matar os micróbios que existem na carne suína. Então, as pessoas começaram a consumir e a divulgar os hábitos de consumo desta carne. Hoje, depois de um século, temos o surgimento de uma pandemia de gripe suína. Quando os Profetas revelaram que o consumo da carne suína é um pecado, talvez não tenha sido por causa de um micróbio descoberto apenas há 100 anos atrás. Quer dizer, levaram 13 séculos para que o ser humano descobrisse esta doença e, talvez, passem outros 13 séculos para que descubra outras doenças. O ser humano, algumas vezes em sua vida, não sabe que decisão tomar ou seguir. Pois a profecia é um meio caminho para orientar o ser humano, para que ele não se perca e não fique sem uma orientação. Deus o Altíssimo criou este universo para o ser humano. No Sagrado Alcorão, na Surata n°2, Versículo n°29, Ele nos diz: “vos criou tudo” Em outra Surata, de n°80 “ABASSA” (O Austero), no Versículo n°32, Ele nos diz: “Para o vosso uso” Em uma terceira Surata, de n°45 “AL JASSIYA” (O Genuflexo), no Versículo n°13, Ele nos diz:
“E vos submeteu tudo quanto existe” Quer dizer, tudo aquilo que Deus criou o fez para o ser humano e para a sua utilização. Então, se Ele não tivesse enviado um Profeta, todos estariam perdidos e sem instruções. É como alguém que diz: “Eu fiz para você uma comida gostosa”, mas não lhe dá o endereço ou não envia alguém pra buscá-lo. Que tipo de recepção é esta, em que há de tudo na mesa, mas os convidados que deveriam estar presentes estão perdidos, procurando o endereço da residência? Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata n°6 “AL AN’AM” (O Gado), no Versículo n°153, nos diz: “E (o Senhor ordenou-vos, ao dizer): Esta é a Minha senda reta. Segui-a e não sigais as demais, para que estas não vos desviem da Sua.”
Segundo Sermão:
A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO NO ISLÃ Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo O lugar do ser humano na sociedade é devido ao seu trabalho, a sua atividade. O Alcorão Sagrado, na Surata 6, "AL MÁIDA" (A MESA SERVIDA), Versículo 132, nos diz: “Para todos haverá graus concordantes com o que houverem feito.”
Portanto, a importância de cada um está ligada a sua atividade. A sociedade tem escalas conforme a atividade de cada um. Na eternidade as escalas são ainda maiores, onde pessoas prevalecem sobre outras pessoas com base na sua piedade. No Dia da Ressurreição, a medida será o trabalho, isto é, as ações de cada um, sendo ainda maiores as diferenças. No Alcorão Sagrado, na Surata 17, "AL ISRÁ" (A VIAGEM NOTURNA), Versículo 21, temos: “Repara em como preferimos uns sobre outros. Porém, na Outra Vida, há maiores graus e mais distinção.”
O trabalho é a identidade da pessoa, não necessitando dizer quem são os seus pais, sendo suficiente dizer qual é a sua profissão. O profeta Mohammad (S.A.W) disse: “Não me digas quem é o teu pai ou a tua mãe, mas me digas que trabalhos tu realizastes.”
As pessoas são de quatro tipos: Primeiro é o considerado louco; O segundo é a pessoa considerada ignorante; O terceiro é considerado pensador; E a quarta é considerada muito inteligente. O louco aproveita apenas 10% do seu intelecto. É como um prédio que tem 10 apartamentos e apenas um é utilizado. O pai da medicina, Avicena, nos relata que o trabalho se divide em dois atos: Primeiro – O fato de que posso realizá-lo; Segundo – Em (prol de) que eu o realizei. Há uma bela história de uma pessoa bem sucedida na vida. Quando era criança, se deu conta de que estava em um orfanato e perguntou: “Quem são o meu pai e minha mãe?” Como não recebeu nenhuma resposta, começou a chorar, tendo apenas 14 anos. Depois, o choro se tornou um complexo em sua mente e o levaram a um psicólogo. Disse o psicólogo ao menino: “Imagine que eu seja o seu pai e que minha esposa seja sua mãe, mas o que importa é saber quem você é. Você deve descobrir quem é você. Pense no que você deseja fazer nesta vida”. Resumindo, falamos primeiramente sobre o trabalho do ser humano, depois dissemos que a sua identidade é o seu trabalho e por último dizemos que se nós pretendemos ser considerados religiosos, só atingiremos este grau fazendo as ações que ordena a religião. Temos um hadith do Imam Báqer (A.S.) que diz: “Relate aos nossos seguidores que só receberá a recompensa divina aquele que apresentar ações.”
Em um outro hadith o Imam Ali (A.S.) disse: “Não seja daqueles que almejam a eternidade sem que tenha realizado ações.”
No Alcorão Sagrado, Deus Altíssimo revela que quando deseja recompensar alguém sobre os atos realizados, além de recompensá-lo ele acrescenta mais a recompensa. Deus Altíssimo, na Surata 24, "ANNUR" (A LUZ), Versículo 38, diz: “Para que Allah os recompense melhor pelo que tiveram feito, acrescentando-lhes de Sua graça.”
Nós também, por exemplo, quando vamos a um restaurante, pagamos o valor da refeição e ainda damos uma gorjeta. Um outro exemplo é quando pegamos um táxi. Neste caso, devemos pagar o que foi registrado no taxímetro e dar uma gorjeta a mais. Quando uma pessoa trabalha conosco em nossa empresa ou em nossa casa, devemos pagar o que é de direito e lhe dar algo a mais. Mas todos estes atos, depois de efetuada as tarefas. Sem atividade a pessoa não tem o direito a receber nada. Portanto, Deus Altíssimo nos diz que no Juízo Final recompensará tendo como base as ações. Ele, na Surata 34, "SABÁ" (SABÁ), Versículo 37, cita: “E não serão nem as vossas riquezas, nem os vossos filhos que vos aproximarão dignamente de Nós; outrossim, serão os crentes, que praticam o bem, que receberão uma multiplicada recompensa...”
É verdade que Deus Altíssimo nos diz que terão o dobro da recompensa, mas o versículo por duas vezes nos confirma a importância de fazermos boas ações. Portanto, a recompensa não será sobre a fé ou a crença na religião, mas sim sobre os atos praticados. Não faz parte da lógica que, por exemplo, diga um ser humano a outro que lhe dê mil reais porque até o momento ele havia juntado noventa e nove mil, perfazendo cem mil. E também não faz parte da lógica que o homem diga à mulher: “Ame-me porque meu filho é um médico”. Portanto, a aproximação de Deus se dá por meio dos atos e não dos filhos ou do dinheiro. O dinheiro serve para que realizemos os atos e nos aproximemos de Deus por meio deles, não do dinheiro em si. O meio para obtermos a recompensa de Deus são os atos. Em um hadith, o Imam Báqer (A.S.) nos diz: “Nossa wilayat (1) não será aceita a não ser com as ações.”
Quer dizer que só será considerado seguidor de Ahlul-Bait (Casa Profética) o praticante das (boas) ações. A obrigatoriedade das ações no Islã
Não será aceita a adoração a Deus a não ser com as ações. Num hadith o Imam Ali (A.S.) nos diz: “Nenhum dito deverá ser aceito a não ser com a ação.”
Portanto, falar apenas não adianta, sem que se consiga realizar uma ação. Em um outro hadith o profeta Mohammad (S.A.W) nos diz que: “Nenhum ato será oculto a não ser que seja seguido pela ação.”
Um poeta iraniano tem um belo poema no qual escreve: ”O homem inteligente se alegra quando efetua uma ação, enquanto o ignorante se contenta quando diz algo, apenas”. O Sagrado Alcorão nos diz que tudo no universo está em movimento e caminhando até um objetivo definido. Portanto, enquanto tudo no universo tem um movimento e uma ação, aquele que não realiza atos deveria se envergonhar de si mesmo. O inativo deveria se envergonhar de uma simples formiga. A pessoa que não age deveria se envergonhar de seu próprio coração, que bate todos os dias, sem interrupção. Num outro versículo do Alcorão, Deus fala de si mesmo, na Surata 55, "ARRAHMAN" (O CLEMENTE), Versículo 29: “A cada dia Ele está ocupado em uma nova obra.”
Deus, o Supremo, o Poderoso, todos os dias realiza obras diferentes. Então, não deve o ser humano também praticar obras? A profissão do ser humano Disse o Imam Ali (S.A.W.) em uma hadith: “Deus ama aquele em que se pode confiar.”
Quando Deus ama certa pessoa, é diferente de quando Deus ama a um ser humano qualquer. Uma pessoa, quando ama a outra, como o homem a sua esposa, lhe dá tudo que tem disponível, inclusive os seus segredos, não permanecendo mais limites na relação. Também em relação a Deus Altíssimo, quando ele ama um povo, proporciona tudo o que tem a sua disposição. Portanto, Deus ama o profissional em sua área por ser um especialista e trabalhar com perfeição no que faz. As adorações no Islã têm de ser realizadas de uma forma correta. Num livro chamado Man La Ihdahuruhul faquih, conta-se: Um alfaiate costurou uma roupa e fez no melhor modelo possível, apresentando-a ao seu cliente. Este lhe devolveu, dizendo que era um modelo feio; chorou o alfaiate. Quando o cliente lhe viu chorando, disse: “Eu aceito, mas pare de chorar”. Disse, então, o alfaiate que quem o fez chorar foi Deus, porque “quando eu quis melhorar o modelo, este me foi devolvido com reprovação. Aquilo sobre o que trabalhei bem me devolveram. Portanto, tenho medo que minhas ações de 40 anos me sejam devolvidas por Deus”. Ele se referia aos seus atos de adoração, reza, jejum, Hajj e outros. Temos nos relatos que aquele que realiza a prostração (sujud), Deus não o fará passar pelo temor em seu túmulo. Deus, o Altíssimo, indicou ao Profeta Davi, na Surata 38, Versículo 30: “Que excelente servo!”
Porque ele era um excelente artesão na arte de fazer escudos. O Profeta Mohammad (S.A.W.) também amava o especialista em sua profissão. Em uma hadith de Ibn Abbas, relata-se que o Profeta Mohammad (S.A.W.), quando observava um homem, perguntava se tinha alguma especialidade. O Profeta dava a devida importância às pessoas por causa do seu grau de especialidade. Quando ele retornou da batalha de Tabuk e foi recebido por Saad Ibn Maaz, as pessoas iam ao seu encontro para cumprimentá-lo. Quando o Profeta cumprimentou Saad Ibn Maaz, este percebeu que a mão de Saad estava áspera pelo excesso de trabalho. Disse-lhe o Profeta (S.A.W.): “Quem deixou suas mãos assim?” Ele lhe respondeu: “Ó, Profeta de Deus, eu trabalho como quebrador de pedras com uma marreta e uma pá para sustentar minha família”. Então, o Profeta beijou a sua mão e lhe disse: “Esta mão jamais será queimada pelo fogo.” Os profetas todos trabalhavam: O profeta Zacarias trabalhava com a madeira; O profeta Moisés cuidava de rebanhos; O profeta Mohammad trabalhou com o comércio; O profeta Davi trabalhava com o ferro; O profeta Salomão trabalhava com a fabricação de tapetes de esteira; O profeta Yussef era um ministro no governo. Deus, o Altíssimo, os Profetas (S.A.W.) e os Imames amam aquele que é um especialista em sua área. Em um hadith o Imam Assádeq (A.S.) ensina: “Muito me agrada ver um homem que se especializa na sua área para obter o seu sustento.”
Um dos assuntos que o Islã frisa bastante é o trabalho da mulher. Nas narrativas nós temos que a Deus lhe aprazem três tipos de sons. A voz do sábio ao ensinar, a voz de um soldado na guerra e a voz de um fuso. Fuso é um instrumento roliço sobre o qual se forma o fio. Hoje, uma definição mais próxima de nós seriam as fábricas de fiação e tecelagem. Fátima Azzahrá (a.s), filha do Profeta (s.a.w), tinha um fuso. A família do Profeta se orgulhava pelo fato de sua mãe utilizar o fuso. Na interpretação de Ayoshi, um dos companheiros do Profeta estava caminhando e viu uma mulher sentada em frente a uma porta, utilizando o seu fuso. Disse-lhe o homem: “Você já se tornou idosa e não deveria abandonar este fuso.” Respondeu ela: “Eu ouvi do Imam Ali(a.s) que me disse: ‘Este é o melhor dos trabalhos’” . Também temos um hadith do Profeta que nos diz: “O melhor dos trabalhos para uma mulher é o fuso.” As mulheres de modo natural gostam de costurar, bordar, atividades estas que são realizadas com fios. Portanto, nós devemos nos orgulhar dos irmãos e irmãs que trabalham distribuindo e vendendo roupas nesta sociedade. O trabalho no Islã é tão importante que é relevante que o ser humano migre em busca de trabalho. Deus, na Surata n°67 “AL MULK” (A Soberania), no Versículo n°15, nos diz: “Ele foi Quem vos fez a terra manejável. Percorrei-a pois, por todos os seus quadrantes e desfrutai das Suas mercês; a Ele será o retorno!’ Uma das bênçãos divinas é que no coração do ser humano tenha colocado desejo de migrar para trabalhar e fazer comércio. E uma das bênçãos de Quraish (a tribo do Profeta) era que emigravam para comerciar. Deus, na Surata n° 106 “QURAISH” (Os Coraixitas), no Versículo n°1 nos diz: “Pelo convênio dos coraixitas, o convênio das viagens de inverno e de verão” Quer dizer, Deus colocou este desejo de que façam comércio. Muitos percebemos que o comércio está em nosso sangue e veias como, os libaneses por exemplo. Se uma região for quente ou fria, outono ou verão, para eles não há diferença. Suponhamos um homem pobre, que em sua região não consiga trabalho; é possível que em outra região haja trabalho para ele. Mas, como quer migrar, torna-se dependente dos outros e passa a pedir ajuda. Pela Lei Islâmica, dar esmolas a estas pessoas não é permitido. Deus, na Surata n°2 “AL BAQARA” (A Vaca), no Versículo n°273, nos diz: “(Concedei-a) aos que empobrecerem empenhados na causa de Deus, que não podem se dar a negócios na terra (...)”
A esmola é para os pobres, que não podem migrar; mas para aqueles que podem migrar não se pode dá-la. O Alcorão promete àqueles que migram que lhes dará boas condições financeiras e que seu sustento não faltará. Deus, na Surata n°4 “AN NISSAH” (As Mulheres), no Versículo n°100, nos diz: “Mas quem migrar pela causa de Deus, achará, na terra, amplos e espaçosos refúgios.”
O Sagrado Alcorão reclama daqueles que têm uma vida difícil mas não decidem migrar. Deus, na mesma Surata, no Versículo n°97, nos diz: “(...)Aqueles a quem os anjos arrancarem a vida, em estado de iniqüidade, dizendo: Em que condições estáveis? Dirão: Estávamos subjugados na terra (de Makka). Dir-lhes-ão os anjos: Acaso, a terra de Deus não era bastante ampla para que migrásseis? Tais pessoas terão o inferno por morada. Que péssimo destino!”
Portanto, este versículo indica que não migrar é uma opressão para quem pode e não a realiza. Deus, na Surata n° 28 “AL QASSAS” (As Narrativas), no Versículo n°77, nos diz : “Mas procura, com aquilo com que Deus te tem agraciado, a morada do outro mundo; não te esqueças da tua porção neste mundo,”
Temos uma narrativa do Imam Assádeq (a.s) que nos diz: “Deus gosta daquele do homem que migra em busca de seu sustento”.
Algumas vezes o homem fica sem emprego porque não tem as ferramentas para tal. Ou porque não conhece as formas ou os meios para tal trabalho. Ou domina uma atividade que nos dias de hoje já não é mais importante. O Profeta (s.a.w) recomendava a essas pessoas que iniciassem seu trabalho novamente. Um dos companheiros do Profeta (s.a.w) lhe disse: “Eu estou sem trabalho. Arrume um emprego para mim.” Reclamou ao Profeta sua falta de trabalho e então o Profeta lhe perguntou: “O que tem em sua casa?” Disse o homem: “Tenho algumas roupas sobrando e algumas coisas de cozinha a mais”. O Profeta então lhe disse: “Traga estas coisas.” Colocou-as o Profeta no meio do bazar, em exposição, e as vendeu por dois dirhames. Deu ao homem o dinheiro da venda e lhe disse: “Com um dirham compre comida para sua casa e com esse segundo dirham compre um machado e venha comigo”. Quando ele trouxe o machado o Profeta colocou um cabo de madeira e lhe disse: “Vá e faça lenha com este machado e daqui por duas semanas não quero vê-lo.” Este homem, depois de duas semanas, retornou ao Profeta com 15 dirhames e comprou parte em alimentos e outra em roupas. |