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Semões de sexta feira proferidos por sua Eminência:
Xeique Mohamad Sadek Ebrahimi

Tradução do persa ao português : Gamal Fouad El Oumairi
Revisão e Edição de texto: Omar Nasser Filho

 


24/04/2009 - O MONOTEÍSMO NO ISLÃ/CONFERÊNCIA SOBRE O RACISMO


Primeiro Sermão:

O MONOTEÍSMO NO ISLÃ/CONFERÊNCIA SOBRE O RACISMO

O MONOTEÍSMO NO ISLÃ

Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo 

As pesquisas para se conhecer a Deus são diferentes do estudo sobre o Monoteísmo. Aquele que acredita em Deus é possível que não aceite a unicidade divina. E a diferença do Islã em relação às outras religiões é exatamente esta. Este tema é um dos mais amplos e vastos no Islã, sendo que muitos líderes religiosos falaram a respeito, assim como muitos livros e grupos tendo como base o Monoteísmo foram criados.

Razões para acreditar  no Monoteísmo:

Dizer que “Deus pode ser mais do que um único ente” não é correto. Deus, na Surata n° 21 (Al Anbiyá/Os Profetas), no Versículo n°22, nos diz:

“Se houvesse nos céus e na terra outras divindades além de Deus, (ambos) já se teriam desordenado.”  

A preposição “lau” (se), no árabe, indica que se houvesse mais de um Deus na face da terra ela teria se desordenado. Mas, como percebemos que sua organização é perfeita, isto é sinal de que Deus é Uno e Único. O versículo acima foi dirigido aos associadores que acreditam que a terra possui um Deus e o céu, outro. No Sagrado Alcorão, na Surata n°43 (Az Zukhuruf/Os Ornamentos), no Versículo n°84, Deus nos diz:

“Ele é Deus, nos céus e na terra”

O universo é único. Também o seu criador é único. Um corpo pode possuir apenas uma cabeça, não há corpo que possua duas. Não há país que possa ser governado por dois presidentes ao mesmo tempo. E não há organização que possa ser governada por dois presidentes. Há situações em que muitos governantes causam a corrupção. É como o exemplo de duas pessoas, que debatem um tema e não chegam a lugar algum. Que tipos de resultado obtiveram?

Ou ao menos podemos dizer que quando um grupo de escritores escreve um livro coletivamente, mesmo que pensem sobre o assunto, em cada parte observamos que há um modo, uma forma e uma abordagem diferente. De modo natural, quanto maior for o grupo e quanto mais escritores houver, mais discrepâncias e discordâncias ocorrerão. E às vezes pode ocorrer que ao longo das páginas e dos parágrafos os assuntos sejam parecidos. Mas, jamais haverá uma concordância plena entre eles. A concordância entre os céus representa a unicidade divina. Deus, na Surata n°67 (Al Mulk/A Soberania), no Versículo n°3, nos diz:

“Que criou sete céus sobrepostos; tu não acharás imperfeição alguma na criação do Clemente!”

A expressão “não acharás  imperfeição”, no idioma árabe, tem dois significados: O primeiro sentido é este que o tradutor utilizou, e que é uma base para o Monoteísmo; outro sentido é que a palavra “tafaout” significa que falta algo, que não é perfeita e esta é uma outra base para reafirmarmos o Monoteísmo. O exemplo da base anterior que dissemos é o de um quadro  pintado por apenas um pintor. A segunda base que citamos tem a ver com as fábricas de veículos, onde se uma peça falta, não há possibilidade de encaixarmos outra peça em seu lugar. Cada carro tem um planejamento único em sua construção. Assim, da mesma forma, a organização do universo foi concebida. A falta de algo no universo o levaria ao caos. Se a vida no universo tivesse mais de um Deus, não haveria uma adaptação perfeita na vida terrestre. Deus, o Altíssimo, no versículo anterior nos diz:  
 
“(...) tu não acharás imperfeição alguma na criação”.

Na continuação deste versículo Deus nos diz :

 “Volta, pois, a olhar ! Vês, acaso, alguma fenda?”

O Sagrado Alcorão nos revela que se houvesse uma pequena falha nos céus, toda a organização terrena iria por água abaixo. Deus, na Surata n°84(Al Inshiqaq/A Fenda), no Versículo n°1, nos diz:

 “Quando o céu se fender (...)”

Algumas coisas, devido a uma pequena falha, não podem mais ser usadas, até que sejam concertadas. Por exemplo, se tivermos uma piscina e que no fundo dela tenha um buraco no fundo.  Deus, na criação dos céus, nos releva que os construiu de maneira sólida. Na Surata n°78 (An Naba/A Notícia), no Versículo n°12, Ele noz diz:

“E não construímos, por cima de vós, os sete Firmamentos?”

Se houvesse algum defeito ou falha, estes mesmos sete firmamentos se deteriorariam. No Sagrado Alcorão, na Surata n°69 (Al Háqqa /A Realidade), no Versículo n°16, Deus nos diz:

“E o céu se fenderá, e estará frágil;”

Se houvesse a menor falha entre os céus, aconteceria o Dia do Juízo Final na terra. Deus, na Surata n°82 (Al Infitar/O Fendimento), no Versículo n°1, nos diz:

“Quando o céu se fender (...)”

Não temos a menor indicação de que o Dia da Ressurreição está próximo, pois não há fendas no céu. Esta combinação perfeita e a ausência de defeitos ou falhas é uma indicação do Monoteísmo divino.

A combinação não existe apenas na criação dos céus, mas em toda sua plenitude. Tudo o que o corpo humano necessita encontra para seu consumo. Por exemplo, tudo aquilo que temos necessidade para suprir nossa fome ou sede, existe.

Então, deduzimos que Aquele que criou o corpo humano foi O Mesmo que constituiu a Terra. De um quadro harmônico deduzimos que há um único artista.

Quando vemos um carro completo, combinando sua porta com seus vidros, percebemos que apenas uma empresa o construiu.

Quando percebemos a organização do universo com sua perfeição absoluta, entendemos que apenas um único Deus o construiu.

Hicham Ibn Hakam perguntou ao Imam Assádeq (a.s) por que razão Deus é apenas uno? Respondeu então o Imam (a.s):

“A razão é a combinação existente entre as criaturas.” 

Segundo Sermão:

CONFERÊNCIA SOBRE O RACISMO, EM GENEBRA

Em nome de Deus, o Clementíssimo, o Misericordiosíssimo

Um dos assuntos mais discutidos pela mídia hoje em dia é o racismo. A ONU fez duas conferências sobre o assunto. A primeira foi em Durban, na África do Sul, em 2001. E a segunda agora, em Genebra, na Suíça. Será que dentro do Islã existe racismo? Deus, na surata n°49 (Al Hujjurat/Os Aposentos), Versículo n°13, nos diz:

“E vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Deus, é o mais temente”.

O Islã considera que o melhor dentre vós é aquele que faz boas ações. Narrativas do Profeta Muhammad (s.a.w) confirmam este preceito:

“Não há diferença entre um árabe e um não árabe, a não ser pela fé.”

O Profeta Muhammad (s.a.w) não foi enviado para o povo árabe apenas, mas para toda a humanidade.

Deus, em outra Surata, a de n° 34 (Sabá), no Versículo n°28, nos diz:

“E não te enviamos, senão como universal (Mensageiro)”


Desde o início da divulgação do Islã, tanto negros como brancos, árabes e não árabes rezavam juntos. Bilal, que era de origem africana e negra, era o responsável pela comunicação, encarregado pelo Profeta (s.a.w) de fazer o azan (chamado para a oração). Temos uma narrativa do Profeta que diz :

“Todos vocês provêm de Adão e Adão provém da terra.”

Quanto às leis e normas, tudo aquilo que é permitido aos muçulmanos aos não muçulmanos também é. Assim como aquilo que é proibido aos muçulmanos aos não muçulmanos também é.

Será que o Islã condena o racismo? Sim, o Islã condena o racismo. Na época em que os judeus não tinham problemas com os muçulmanos e ainda não haviam invadido a Palestina e cometido os genocídios que cometeram, o Alcorão condenou o engrandecimento que praticavam. Deus, na Surata n° 62 (Al Jumuah/A Sexta-Feira), no Versículo n°6, nos diz:

“Dize-lhes: Ó, judeus, se pretendeis ser os favorecidos de Deus, em detrimento dos demais humanos, desejai, então, a morte, se fordes verazes!”

A questão do racismo na história fez com que as nações sofressem muitas atrocidades, barbáries e opressão extremas. Muitos homens lutaram com extrema convicção para que o racismo deixasse de existir. O Brasil é um dos países que luta contra o racismo. 

Os Estados Unidos chegaram, depois de séculos de opressão, a eleger um presidente negro. Na África do Sul, a partir do governo de Nelson Mandela acabou o Apartheid e foi criado um regime mais justo com a maioria negra e não racista.

Hoje, o país que mais representa o racismo no mundo é Israel. E este barulho todo contra esta conferência contra o racismo foi uma iniciativa dos sionistas.

Israel se acha melhor que todos os países. Pois um dos assuntos desta conferencia era o racismo sionista. Há um provérbio árabe bem conhecido que diz:

“Os opressores trabalham de certa forma que o seu genocídio seja por todos conhecido e  a única coisa que alegam é: Nos peguem, nos condenem.”

Aquele que conhece Israel não tem a menor dúvida de que é uma nação racista. Um país que se ergue sobre os cadáveres de milhares de palestinos assassinados e baseado na expulsão deste povo de seu país, saqueando suas riquezas e bens, assim como no derramamento do sangue das crianças em Gaza, com um histórico de mais de 60 anos de genocídios, será que não é racista?  

As palavras do presidente da República Islâmica do Irã, amplamente divulgadas pela mídia, não passaram de uma fotografia do racismo sionista. E quando mostrou esta fotografia horrível, sua face se mostrou clara para todos. Apesar de esta foto ser horrível, os representantes dos países imperialistas não estavam dispostos a vê-la, ausentando-se da conferência.

Procurar esvaziar a conferência não só não resolve os problemas, como revelou que são as nações sem lógica e fracas.

Deus, na Surata n°21 (Al Anbiya/ s Profetas), no versículo n°87, afirma:       

“E (recorda-te) de Dun-Num quando partiu, bravo, crendo que não poderíamos controlá-lo. Clamou nas trevas: Não há mais divindade do que Tu! Glorificado sejas! É certo que me contava entre os iníquos!”

Os países que abandonaram esta conferência nos mostram que eles não têm o sentimento de responsabilidade e estão dispostos a colocar-se no isolamento.

Nem disposição para ouvir os outros eles têm. Cortar as relações não traz lucro nenhum, fechar os olhos também não e aquelas que não querem ver a realidade em nada ajudam.

Gritar e espernear no salão de conferências é uma atitude de crianças. Deus, no Sagrado Alcorão, no Capítulo n°41 (Fússilat/ Os Detalhados), no Versículo n° 26, afirma:

“E os incrédulos dizem: 'Não deis ouvidos a este Alcorão: outrossim, fazei bulha durante a sua leitura. Quiçá, assim vencereis!'”     

 

 

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