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03/04/2009 -
OS PRINCÍPIOS ISLÂMICOS (P.1)/OS RISCOS DA IMITAÇÃO
Primeiro Sermão:OS PRINCÍPIOS ISLÂMICOS (P.1)/OS RISCOS DA IMITAÇÃO Em nome do Altíssimo A principal diferença entre o conhecimento e os princípios é que o conhecimento proporciona ao ser humano a noção de como ele deve viver. Mas, o princípio diz ao ser humano como ele deve viver. A indústria, a agricultura, a engenharia, a medicina e a economia se desenvolvem com o objetivo de que a vida se torne mais fácil e prazerosa. Mas, seguindo princípios, é possível construir uma vida digna e correta para o ser humano. Uma vida sem conhecimento se torna problemática e difícil. Mas, uma vida sem princípios não é possível de ser seguida. Quando um ser humano não sabe para que vive, não procura adquirir o conhecimento. Todos os conhecimentos os abandonam e ele pode acabar se suicidando. Então, entendemos que a continuidade da vida tem uma relação direta com os princípios. Por este lado, os princípios são a mais importante base da religião, sendo considerados mais importante do que o comportamento, a interpretação do Alcorão ou outras. O comportamento e a interpretação nos ensinam como viver. Aquilo que diferencia um ser humano de um animal é o pensamento. O ser humano é mais elevado do que apenas comer, beber, divertir-se ou outras coisas. O pensamento é bem mais importante. Mas, para um animal o que é mais importante é o alimento. O Imam Ali (a.s) nos diz: “De que forma posso me conformar e agir como os quadrúpedes, para quem o mais importante é comer? Ou como os animais livres que vemos nas ruas, cuja atividade é apenas revirar o lixo? Não devo ser como os animais que comem e não sabem o que acontecerá com eles. Devo refletir no que acontecerá no futuro comigo.”
O ser humano não é como um animal, devendo questionar quem o trouxe à vida, primeiramente. Às vezes um garoto inteligente em um orfanato se torna adulto sem conhecer o seu pai e a sua mãe e acaba se tornando um doente mental. Em alguns casos podem chegar a se matar. Então, como pode um ser humano observar e não perguntar quem fez tudo o que existe ao nosso redor? A pergunta principal é para que Ele nos enviou à terra e o que deseja de nós? O mais importante disto tudo é sabermos qual será o nosso futuro? Onde chegaremos? O Imam Zain Al-Abidin (a.s), na súplica Abu Zamza Assomali, nos diz: “Porque não devo chorar, se não sei como será o meu futuro?” Muitos homens neste mundo se divertem, comem, ingerem as bebidas mais diversas, casam-se e estão totalmente desligados e desatentos a como vieram a este mundo. Não colocam um objetivo nesta vida e muito menos na outra (a Ressurreição). O mais importante para eles é comer e beber. Este tipo de pessoa vive pior que os animais. Os gatos soltos da rua comem carne fresca, enquanto os humanos comem carne envelhecida. Com relação à quantidade, uma vaca como mais que um ser humano. Algumas vezes os ricos fazem coisas em que dão sinais de que seu nível de pensamento é pior que o dos animais. Quando vestem uma roupa de couro especial, se acham melhor que os outros. O estudante, ao estudar todos os dias, muitas vezes acha difícil e penoso, enquanto que o conhecimento alimenta o pensamento. No entanto, quando deseja ir para diversão, fica contente e alegre. Este tipo de pensamento é de alguém que pensa pequeno. De modo geral, se o ser humano apenas pensar em comer e beber e der a isto mais importância do que à busca do saber, se tornará pior que os animais, com absoluta certeza. Deus o Altíssimo, na Surata n° 47 (Muhammad), no Versículo n° 12, nos diz: “Quanto aos incrédulos, que comem como come o gado, o fogo lhes servirá de morada.” O problema não está em comer, mas sim em comer como os animais. Quer dizer, não pensar se quilo que se está comendo é pecado ou não. Essas pessoas também não pensam em seu futuro, apenas que devem comer e se sentir satisfeitos. Temos um provérbio árabe que diz: “Aquele que pensa apenas naquilo que ingere tem o valor daquilo que sai dele, tão somente” (i.é, os seus excrementos) Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata n° 53 (An Najm/As Constelações), nos Versículos n° 29 e 30, nos diz: “Afasta-te, pois, de quem desdenha a Nossa Mensagem, e não ambiciona senão a vida terrena. Tal é o alcance do seu conhecimento.”
Sobre aquele que desdenha seu pacto com Deus, não se deve dar-lhe atenção ou lhe dirigir a face. O segundo ponto incluso na interpretação deste versículo é que trabalhar na vida terrena não é ruim. O mal consiste em pensar apenas nesta vida. O Sagrado Alcorão nos apresenta como ignorante, sem conhecimento e de estreita visão este tipo de pessoa. O grande erro é dar mais importância à vida terrena e menos à outra vida. Na súplica do mês de Shaaban está escrito o seguinte: “Deus, não faça que a vida terrena seja mais importante que a outra.” Quer dizer que ao menos as duas estejam num mesmo patamar de importância.
Segundo Sermão:
SEGUIR OS PRINCÍPIOS ISLÂMICOS 1°ponto: O primeiro ponto importante é que devemos construir os nossos princípios. Não devemos copiar, simplesmente, de alguém. Por exemplo, não é porque o meu pai é muçulmano que eu devo ser muçulmano, também. Eu devo construir meus princípios. Não é possível pegar a experiência alheia, neste caso. Aquele que quer aprender a nadar deve entrar na água. Ler livros com relação a isto não ajudará muito. Aquele que pretende dirigir deve pegar um volante. Sentar-se ao lado do motorista, apenas, não resolverá. Nem que ele permaneça a vida toda ao lado de um motorista, não resolverá, até que ele mesmo dirija. Os princípios de uma pessoa devem ter este sentido. Ela deve pensar e chegar a um objetivo por si mesma. 2°ponto: Devemos ter cuidado com os pensamentos prontos e arrumados. Nós não temos a obrigação de seguir nada sem que tenhamos uma razão para tal. Seguir o que os outros fazem porque eles fazem é pecado no Islã. Dizer a um morto o que ela deve recitar é permitido, mas dizer isto a uma pessoa em vida, não. O Sagrado Alcorão diz àqueles que imitam os outros que os vê negativamente. Deus, na Surata n° 43 (Azzukhuruf /Os Ornamentos), no Versículo n° 23, nos diz: “Em verdade, deparamo-nos com os nossos pais a praticar um culto, cujos rastros seguimos”.
Muitas vezes, aprender com as histórias de nossos antepassados é útil, mas não quer dizer que não contenham erros ou falhas e que não devamos refletir a respeito. Quantas pessoas há que mudaram o comportamento de seus pais? O Profeta Abraão, quando viu que seu pai fazia um ídolo e aos homens vendia e servia para sustentar a família, mesmo assim não aceitou e lutou contra este tipo de pensamento. O 3° ponto: Devemos auxiliar os outros para que eles construam os seus princípios. Se você é um pai, um aluno, um professor, deve ajudar os jovens para que construam princípios corretos em suas vidas. Como um professor universitário que ajuda os estudantes e coloca os seus pensamentos de forma tal que faça com que os alunos tragam idéias novas à tona. Por isso os pontos que podemos colocar neste sermão são exemplos que nos ensinam como devemos reconstruir nossos princípios. Outros conhecimentos não são assim, apenas os seguimos. Eles são relatados e as pessoas aceitam. Com relação aos princípios, não funciona desta forma assim. Os princípios guiam as pessoas. Este tipo de sistema está relacionado com versículos do Alcorão, assim como com às Leis Islâmicas, seguindo-se um jurisprudente, ou como os profetas, que seguiam e doutrinavam as pessoas para que refletissem, elevando, assim, os seus pensamentos. Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata n° 26 (Ach-chuará /Os Poetas), nos Versículos n° 69 e 70, nos diz: “Recita-lhes (ó Mensageiro) a história de Abraão, quando perguntou ao seu pai e ao seu povo: O que adorais?” Será que o Profeta Abrãao (a.s) não sabia o que eles adoravam? Será que ele não via os ídolos? O Profeta Abraão sabia sim o que faziam e os via, mas queria lhes perguntar para que refletissem se valia pena adorá-los ou não. Estes, em resposta, disseram nos Versículos 71 , 72 e 73 da mesma surata o seguinte: “Responderam-lhe: Adoramos os ídolos, aos quais estamos consagrados. Tornou a perguntar: ‘Acaso vos ouvem quando os invocais? Ou, por outra, podem beneficiar-vos ou prejudicar-vos?’”
Chegamos à conclusão que a adoração beneficia ou prejudica. Mas, se adorarmos alguma coisa que não ouve, que em nada nos auxilia nem nos protege de qualquer coisa, então deixar tal adoração é melhor do que mantê-la. Os idólatras sabiam disso mas, como era uma tradição de seus pais, continuaram seguindo-os da mesma forma, como diz o Versículo n° 74 desta mesma surata: “Responderam-lhe: ‘Não; porém, assim encontramos a fazer os nossos pais’.”
E isto quer dizer que os idólatras não tiveram resultado com este tipo de atitude e que seguiam o que os seus pais faziam. O profeta Abraão respondeu na Surata n°21, Versículo n°54: “Disse-lhes (Abraão): ‘Sem dúvida que vós e os vossos pais estais em evidente erro’.”
Seguir alguém cegamente com relação aos princípios faz com que se atrofie nosso pensamento e nos torna limitados. Portanto, o Alcorão nos adverte com relação a isto. O Livro Sagrado nos diz que não devemos seguir os antepassados. 4° Ponto: Nos assuntos de princípios devemos seguir a um Mujtahid (Jurisprudente). Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata n°21 (Al Anbiyá/Os Profetas), no Versículo n° 7, nos diz: “Perguntai-o, pois, aos adeptos da Mensagem, se o ignorais!”
Seguir a um Jurisprudente é um caminho para o ser humano chegar à perfeição. Na Surata n° 6 (Al-Anam/O Gado), no Versículo n° 90: “São aqueles que Deus iluminou. Toma, pois, seu exemplo”
Seguir a um jurisprudente é uma obrigação, mas no assunto de princípios é proibido simplesmente seguir a alguém, porque os princípios têm como resultado a formação do pensamento em um ser humano. E o pensamento não deve seguir ordens, ao contrário das ações de adoração, que têm a intenção de fortificar a personalidade do ser humano. O ser humano tem a necessidade de ter esse tipo de escolha na vida. Às vezes a pessoa fica doente e tem de se afastar de uma série de alimentos. Se não tiver força de vontade, isso poderá levá-la à morte. As outras adorações também são assim. Deus o Altíssimo fez do jejum algo obrigatório ao ser humano, para que observe os bons alimentos, mas não os consuma. No Hajj, depois de vestir a vestimenta, o peregrino deve respeitar os limites impostos. Até mesmo se um coelho estiver próximo, não deve ser caçado. Deus, na Surata n° 5 (Al Ma’ida/A Mesa Servida), no Versículo n° 94, nos diz: “Ó fiéis, Deus vos testará com a proibição de certa espécie de caça que está ao alcance das vossas mãos e das vossas lanças, para assegurar-Se de quem O teme intimamente.”
Este tipo de proibição serve para enriquecer o ser humano. Os soldados do Profeta Saul (a.s) estavam sedentos. Quando chegaram a um poço com água, o Profeta (a.s) os proibiu de beber a água, para que fortificassem sua força de vontade. Deus, no Sagrado Alcorão, na Surata Al-Baqara/A Vaca, no versículo n° 249, nos diz: “Quando Saul partiu com o seu exército, disse: ‘É certo que Deus vos provará, por meio de um rio. Sabei que quem nele se saciar não será dos meus’”.
O Profeta José (a.s) era jovem, forte e observava uma bela mulher, mas não podia fazer nada. Na Surata n°12 (Yussef/José), no Versículo n° 23, Deus nos diz: “A mulher, em cuja casa se alojara, tentou seduzi-lo; fechou as portas e lhe disse: Agora vem!”
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