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O ESPÍRITO DO RAMADÃ
Por Muhammad Ahmad Abu Fares Engana-se perigosamente quem entender o jejum como se fosse apenas deixar de comer, de beber, de fumar, etc. Pois Deus não intencionaria tão somente fazer sofrer os muçulmanos pela privação representada pela fome, pela sede, pela interdição. Tudo o que Deus estabeleceu como dever obrigatório para os muçulmanos tem como objetivo a própria felicidade dos muçulmanos, felicidade de caráter individual e felicidade a nível social e alcance comunitário. O jejum que é acima de tudo uma purificação espiritual e uma depuração enseja ao homem coibir o seu instinto, fazendo o lado espiritual dominar, comandar e disciplinar o lado material... lado este que lhe causa todas as infelicidades. Assim sendo, o jejum fortalece a força de vontade, revigora a consciência e através da consolidação da paciência e da resignação, faz a criatura abster-se das coisas ilícitas, ilegais e indevidas. O jejum entrosa e harmoniza o indivíduo com a sociedade, o integra na comunidade, na prática obediente a Deus. O jejum é a revisão das contas... é sentir fome e se perguntar: “Que fez para matar a fome dos pobres, das criancinhas, dos inválidos, dos infelizes?”. Jejuar é praticar a caridade, generosidade, prestatividade, é bondade com os parentes, com os vizinhos e com toda a gente, tratando todos com amizade, carinho, amor e gentileza. Jejuar é orar... recitar o Alcorão! Jejuar é sofrer para avaliar o sofrimento alheio e compadecer dos semelhantes. Ramadã é perdão, é misericórdia, é paz entre os homens, é harmonia e respeito mútuo no seio da humanidade. Jejuar é temer a Deus, é saber que Deus vê o visível e o invisível, sabe do aparente e do oculto e assim jamais mentir ou blefar contra Deus, pois não adiantaria. O Profeta Muhammad (S) sintetiza tudo isso nestes dois Ahadith: “Muitos jejuadores apenas obtêm a fome e a sede, assim como muitos, ao fazer uma prece, nada obtêm além do cansaço físico da vigília”. E mais: “O muçulmano que deixar de dizer inverdades e não abandonar todas as formas de maldade no Ramadã, não lhe adiantaria jejuar, pois a Deus não interessa que o muçulmano deixe apenas de comer e beber”. Oxalá pudéssemos nós todos muçulmanos aprender eficazmente a lição verdadeira do jejum! Edição: Ibei
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